28/05/2015 08h00 - Atualizado em 27/05/2015 23h14

Justiça dos EUA aponta R$ 19 milhões em propina pagos ao ex-presidente da CBF

Foto: Pilar Olivares/Reuters
Foto: Pilar Olivares/Reuters

Os relatórios divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram detalhes das denúncias relacionadas ao ex-presidente da CBF, José Maria Marin, detido nesta quarta pela polícia suíça, em Zurique, por acusações de corrupção, e outros dirigentes ligados à Fifa. O FBI acredita que Marin já tenha recebido 6 milhões de dólares (19 milhões de reais) em propina referente à realização da Copa América Centenário, que será realizada em 2016, nos Estados Unidos.

O documento de 164 páginas não cita os nomes dos personagens, tratando-os apenas como “Co-conspirator” (co-conspirador) e um número de identificação. Dentre eles, apenas os números 1 e 2 podem ser reconhecidos: o ex-secretário geral da Concacaf, Chuck Blazer, e o dono da Traffic, José Hawilla. No entanto, é a descrição dos personagens que explicita que Marin fez parte do esquema de corrupção.

Inicialmente, o nome de Marin foi citado em investigações de propina relacionada às próximas quatro edições da Copa América – dentre elas, a Copa América Centenária, a ser realizada em próprio território americano, em 2016, como celebração dos 100 anos da competição.

A empresa Datisa contribuiria com cerca de 110 milhões de dólares (aproximadamente 340 milhões de reais, pela cotação atual) em suborno que lhe garantiria direitos sobre o torneio até 2023. Segundo o relatório, 40 milhões de dólares já teriam sido pagos e divididos entre os dirigentes indiciados. Deste modo, os presidentes da CBF, da Conmebol e da AFA (Federação Argentina de Futebol) receberiam cerca de 3 milhões de dólares cada (9,6 milhões de reais), por edição. Já os mandatários das demais federações embolsariam 1,5 milhão de dólares cada (4,7 milhões de reais). Por fim, um investigado ainda não identificado ficaria com os 500 mil dólares restantes (R$ 1,6 milhão).

A edição histórica de 2016, nos Estados Unidos, renderia ainda mais propina: 30 milhões de dólares (96 milhões de reais) que seriam divididos novamente, sob a mesma proporção. Dessa quantia, o FBI acredita que Marin já tenha recebido 6 milhões de dólares (19 milhões de reais). Segundo a investigação, uma rede bancária dos Estados Unidos foi utilizada nas transações em âmbito doméstico e internacional.

Ainda há um diálogo entre Marin e o suposto Co-conspirador 2 (que poderia ser Marco Polo Del Nero) no qual o ex-presidente da CBF questionou se ainda havia necessidade de manter os pagamentos ao seu antecessor no cargo da entidade (Ricardo Teixeira, não citado nominalmente). “Já está na hora de recebermos alguma coisa. Verdade ou não?”, teria perguntado Marin. “Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha que ser dado a você”, respondeu o Co-conspirador 2.

De acordo com o documento, o diálogo teria ocorrido em Miami, durante um evento de anúncio da Copa América Centenário de 2016. Dessa forma, o ex-presidente da CBF repartiria cerca de 2 milhões de reais com outros dois cartolas a cada ano de contrato com a empresa na Copa do Brasil – o vínculo seria válido até 2022, totalizando 20 milhões de reais a serem divididos.

Nike – O documento ainda trata das negociações com a fornecedora de material esportivo Nike, identificada apenas como “empresa de material esportivo norte-americana”. De acordo com o relatório, o primeiro contato com a CBF foi realizado após a conquista da Copa do Mundo de 1994, vencida justamente nos Estados Unidos pela Seleção Brasileira. Na ocasião, a entidade tinha acordo com a britânica Umbro, encerrado em 1996 com uma compensação financeira paga pela própria Nike. A Traffic, de J. Hawilla, intermediou as negociações e aceitou pagar metade do valor que lhe correspondia a Ricardo Teixeira como propina.

O relatório também apresenta um capítulo relacionado à Copa do Brasil, no qual a investigação aponta uma disputa entre duas empresas de marketing esportivo pelos direitos sobre o torneio a partir de 2013. O entrevero, no entanto, teria sido resolvido em um acordo em agosto de 2012. A concorrente da Traffic não teve o nome citado, tratada apenas como Co-conspirador 6. Porém, é sabido que a empresa que competiu com a empresa de Hawilla na época foi a Klefer, do ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite.

Fonte: Veja.com

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