24/07/2015 09h50 - Atualizado em 24/07/2015 10h18

Sem regulamentação e fiscalização, motoristas do transporte alternativo desrespeitam usuários na zona Leste

Foto: Reprodução
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A conduta dos motoristas que trabalham nos micro-ônibus da zona leste de Manaus é questionada e criticada pelos usuários há alguns anos, mas parece que nada é feito para coibir e punir esses profissionais. Entre as principais reclamações estão à direção perigosa e o desrespeito, principalmente, com idosos.

Para a estudante de psicologia Mariana Medeiros, 27, utilizar essas “lotações” para se locomover é uma verdadeira aventura de terror e chegar vivo em casa é sempre uma dúvida desesperadora. “Eles são loucos. Não respeitam as leis de trânsito. Há vezes temos a impressão que a lotação vai capotar”, disse.

Na última segunda-feira (20), Mariana viveu momentos de terror. Ela estava em frente ao Shopping Cidade Leste, na avenida Grande Circular, esperando uma amiga, quando viu um micro-ônibus trocando de faixa em alta velocidade, sem dar sinal, e quase avançando para cima da calçada, onde ela e outras pessoas estavam. “Foi horrível. Eu achei que ia morrer. Muitas pessoas insultaram o motorista e ele riu”, disse visivelmente nervosa.

A estudante já presenciou pessoas quase sendo atropeladas, usuários sendo humilhados pelos motoristas e cobradores, mulheres caindo dentro das lotações após freadas bruscas, mas nunca denunciou por não acreditar que algo efetivo será feito. “Eles (motoristas) agem como se fossem os donos das pistas. Não adianta ligar porque ninguém faz nada”, disse decepcionada.

Decepcionada também está a aposentada Cláudia Oliveira, 70, que sofre todos os dias e já foi até alvo de xingamentos de um motorista e uma cobradora. O fato ocorreu em janeiro desse ano, dona Cláudia pegou uma lotação para ir da casa dela, no bairro Zumbi, para o Shopping Grande Circular, no São José, ao desembarcar ficou espantada e envergonhada ao ouvir o motorista dizer que não tinha culpa da velhice dela e que ela teria que pagar. “Ele disse para eu pagar, que não tinha obrigação de fazer caridade para uma velha gorda”, disse com lágrimas nos olhos.
As humilhações não pararam por aí. A cobradora resolveu se juntar ao motorista e humilhar dona Cláudia. “Ela disse que não queria ficar velha dando prejuízos para os outros e que era uma vergonha andar de ônibus sem ter dinheiro”, recorda.

Após as humilhações, dona Cláudia, que sofre de pressão alta, ligou para uma sobrinha ir buscá-la. “Eu só pensava em esquecer aquilo e voltar para casa”, disse a aposentada, que não denunciou porque não conseguiu anotar o número da lotação e também disse não acreditar que denúncias resolverão os problemas.

Outro idoso que sofre com a conduta dos motoristas é o aposentado Raimundo Freitas, 75. Segundo ele, os motoristas não param nos pontos de ônibus se houver apenas idosos. “Eu fico muito tempo esperando porque eles não param se eu tiver só. Às vezes meu neto fica comigo lá na parada até eu conseguir entrar”, conta.
Raimundo disse que o medo de ser humilhado pelos condutores é constante. Ele contou, também, ouvir comentários como “andar faz bem para a saúde”. “Eu tento pensar que não é comigo. Quando saio agradeço e peço para Deus abençoar ele”, disse.

Licitação

Atualmente os micro-ônibus não estão regulamentados para o serviço e a fiscalização não é efetiva. Em nota, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos informa que a licitação, que selecionará 120 permissionários para o serviço executivo e 200 para o alternativo, está em andamento.

“No momento a Comissão Especial de Licitação da SMTU está realizando o julgamento do envelope de habilitação de mais de 700 proponentes. Após a licitação os vencedores assinarão um contrato com o poder público que determinará os direitos e deveres enquanto permissionários. A operação dos serviços ocorrerá de acordo com as determinações da SMTU e da legislação vigente.”

Reclamações

Os usuários devem registrar sua denúncia na SMTU. Mas é imprescindível informar o número de ordem do micro-ônibus, bem como a data e o horário, para que a SMTU possa identificar o responsável e tomar as providências. Porém, só após a regularização do serviço a superintendência deverá ter “controle” sobre o transporte na zona leste.

Fonte: Redação AM Post

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