04/08/2015 22h32 - Atualizado em 5/08/2015 07h35

Manaus em alerta contra o vírus Chikungunya

Onze casos já foram registrados em Manaus, outros 21 estão sob investigação.
Foto: Ministério da Saúde
Foto: Ministério da Saúde

A Prefeitura de Manaus vai aumentar a vigilância ao vírus Chikungunya. Quatro casos de transmissão autóctone (local), registrados na primeira quinzena de julho, foram confirmados e aguardam testes realizados pelo Instituto Evandro Chagas (laboratório de referência da região Norte) para oficialização do resultado e notificação ao Ministério da Saúde. Outros 21 casos suspeitos estão sob investigação epidemiológica ou laboratorial. Ações de controle, incluindo divulgação de alerta técnico às unidades de Saúde e reforço no combate ao mosquito transmissor em áreas estratégicas, serão realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), visando a redução dos riscos e a identificação precoce de possíveis novos doentes.

As ações integram o Plano de Contingência para a Introdução do Vírus Chikungunya em Manaus, que define quatro níveis de atenção à doença, considerando fatores epidemiológicos, como ocorrência de casos importados ou autóctones e locais de transmissão. “Manaus estava no nível zero porque até agora haviam sido registrados apenas casos importados, ou seja, de pessoas que contraíram a doença em outras localidades. Com os primeiros casos de transmissão local, passamos ao nível um de atenção e estamos intensificando o combate ao mosquito”, explica o secretário municipal de saúde, Homero de Miranda Leão Neto.

Informações sobre a situação do vírus em Manaus passam a ser discutidas semanalmente por um Grupo de Trabalho montado especificamente para tratar do controle e monitoramento da febre Chikungunya na capital. A equipe conta com profissionais das áreas de vigilância, gestão, mobilização e educação em saúde da própria Semsa e terá a participação permanente de representantes da FVS, que responde pelas ações de controle e prevenção de endemias no Estado. A equipe também fará avaliação dos riscos de infecção por dengue e Zika vírus, uma vez que todos eles são transmitidos por mosquitos do gênero Aedes.

A subsecretária municipal de Gestão da Saúde e coordenadora do Grupo de Trabalho, Lubélia de Sá Freire, informa que mais um alerta técnico será enviado a partir desta semana a todas as unidades básicas, orientando os profissionais de Saúde a suspeitarem de Chikungunya ao atenderem pacientes febris. Além disso, mais de 700 médicos e enfermeiros receberão treinamento durante os próximos dias 6 e 7, para atualização de informações sobre a doença. A capacitação será oferecida pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS) e Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Homero de Miranda Leão destaca que a população deve reforçar as ações de prevenção, que são as mesmas aplicadas à dengue. “Não há motivo para alarde ou pânico, mas é importante que as pessoas estejam atentas tanto às condições que favorecem a proliferação do mosquito quanto aos sintomas da doença, procurando atendimento médico”, salientou.

Uma das ferramentas usadas pela Semsa para avaliar os riscos de transmissão do Chikungunya é o LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Instação por Aedes aegipty). Dados do LIRAa mais recente, realizado em maio, apontam 16 bairros da capital como prioritários para a vigilância. Nestas localidades, as ações de educação em saúde serão reforçadas, envolvendo, além de residências, pontos comerciais, centros de convivência, praças de alimentação e feiras populares. O objetivo é sensibilizar os moradores para reduzir a infestação de mosquito e informar sobre sinais e sintomas causados pelos vírus da dengue, Chikungunya e Zika. Em outubro, a Semsa fará novo levantamento para avaliar os resultados.

Os primeiros quatro casos autóctones de Chikungunya são de moradores da zona Oeste de Manaus. Todos estão curados. A suspeita dos casos levou a Semsa a realizar ações locais de bloqueio definidas em protocolo nacional. Imóveis da área de abrangência do risco foram inspecionados para verificação de prováveis focos de reprodução do Aedes aegipty (o mesmo que transmite a dengue) e os moradores foram orientados sobre medidas preventivas.

Pessoas febris ou com histórico recente de febre e outros sintomas compatíveis com a doença foram submetidas a testes clínicos e laboratoriais, descartando a existência de outros doentes naquela região. Os outros casos suspeitos estão distribuídos em bairros da zona Norte, Sul e Leste. Em relação aos casos importados (pessoas que contraíram a doença em outros locais), Manaus tem 11 casos confirmados.
Sintomas incluem febre alta e dor nas articulações

Os principais sintomas da febre Chikungunya são febre alta de início súbito e dor intensa nas articulações (principalmente pés e mãos), que podem ser acompanhados de dor de cabeça, dor nas costas, náuseas, vômito e manchas vermelhas na pele. A recuperação dos pacientes costuma ocorrer entre três e 10 dias. Apesar de causar grande incômodo, a doença provoca menos mortes que a dengue, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Os principais transmissores do vírus são mosquitos do gênero Aedes: o Aedes aegipty, o mesmo que transmite a dengue, e o Aedes Albopictus, encontrado em áreas rurais. Não há medicação específica para combater a febre Chikungunya, sendo tratados apenas os sintomas. O mesmo paciente pode contrair dengue e Chikungunya ao mesmo tempo.

“Recomendamos que a população reforce as ações de eliminação dos criadouros dos mosquitos para evitar a ocorrência de casos. As medidas preventivas são as mesmas aplicadas ao controle da dengue: manter caixas d ́água tampadas; não acumular vasilhames e lixo no quintal; desentupir calhas, manter os pratos dos vasos de planta com areia e outras medidas que evitem o acúmulo de água, onde os mosquitos depositam ovos”, alertou Homero.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o ano de 2004, o vírus Chikungunya havia sido identificado em 19 países da África e África. Casos autóctones em outros continentes começaram a ser registrados a partir do final de 2013. No Brasil, os primeiros casos autóctones ocorreram no ano passado, alcançando 19 municípios e 7.099 caos notificados até o momento.

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