07/08/2015 08h25 - Atualizado em 7/08/2015 08h25

Não há motivos para impeachment, diz Levy

O ministro disse, ainda, que o Brasil não está fora do controle.
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

A presidente Dilma Rousseff irá terminar o seu mandato e o país não está fora do controle, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em entrevista nesta quinta-feira em Brasília. O comentário vem no mesmo dia em que cresceu número de parlamentares que articula fim do governo e quando popularidade da presidente cai a nível recorde.

“É obvio e ululante” que Dilma terminará o mandato. “Não vejo razão e nem benefício para o impeachment.”

O comentário do ministro, que não aparentava tensão, vem após o dólar bater máxima de R$ 3,5696, com nova derrota do governo na Câmara, saída do PDT e PTB da base aliada e pesquisa Datafolha mostrando reprovação de Dilma subindo para 71%, maior da série. Dólar encerrou o dia a R$ 3,5356, mantendo o nível mais alto em 12 anos.

PMDB avalia como retirar Dilma do cargo por meios constitucionais, disse um dos principais nomes do partido sob a condição de anonimato. Um terço dos deputados do PMDB na Câmara defende a abertura de um processo de impeachment, disse o deputado Darcisio Perondi, um dos vice-líderes do partido.

Levy interrompeu a entrevista algumas vezes para atender ligações telefônicas, inclusive da presidente Dilma convidando-o para que ele a acompanhasse em uma visita à Roraima, ao mesmo tempo em que mascava aipo porque, segundo ele, tem fibra e faz bem à saúde.

Sobre derrotas do governo no Congresso que podem comprometer o ajuste fiscal, como a aprovação em primeiro turno da PEC do reajuste da AGU, delegados e procuradores, Levy disse que é preciso tempo para congressistas “entenderem a nova realidade”

“O Congresso tem o ritmo dele”, disse. “Fui a algumas reuniões. Eles estão tentando entender o novo mundo. Tem que dar um tempinho para entender, principalmente a Câmara. Nem todo mundo pensa em economia o tempo todo”.

Para Levy, “o País não está fora de controle” e é descabido pensar em downgrade.

“Temos ferramenta para evitar o downgrade”, disse o ministro. “E acho que é descabido todo mundo ficar aceitando como absolutamente normal ter downgrade”. Acrescentando que o governo está “tomando as medidas que tem que tomar. Não só na área fiscal, que todo mundo se encanta, como em outras áreas.”

A S&P reduziu perspectiva da nota de crédito do Brasil de estável para negativa em 28 de julho, citando “circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras”.

Levy disse que o downgrade poderia gerar demissões no mercado financeiro.

“Vamos traçar um plano de ação para evitar o downgrade”, disse ele. “O próprio mercado financeiro vai dar uma encolhida colossal” se houver downgrade. “Em 2002 parecia que o mundo ia acabar e não acabou”

Fonte: Exame.com

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