17/08/2015 10h50 - Atualizado em 17/08/2015 10h50

PF acha registro de viagem de Zelada com ex-sócio de lobista do PMDB

Zelada foi sucessor do ex-diretor Nestor Cerveró, preso desde 14 de janeiro.
Foto: Vagner Rosário/VEJA
Foto: Vagner Rosário/VEJA

A Polícia Federal localizou o registro de viagem do ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada – preso pela Operação Lava Jato – feita para abrir uma conta no principado de Mônaco. O executivo saiu do país em 7 de fevereiro de 2011 às 21h03, rumo a Paris, no mesmo voo em que estava Miloud Hassene, ex-sócio do lobista do PMDB João Augusto Rezende Henriques na empresa Trend.

Segundo a PF, Jorge Zelada abriu sua conta no Banco Julius Bar, em Mônaco, em 15 de fevereiro – quatro dias após embarcar. No Principado, investigadores descobriram que o ex-diretor da Petrobras mantinha 11,5 milhões de euros. A viagem reforça indícios de corrupção de 31 milhões de dólares em contrato do navio-sonda Titanium Explorer.

“Reforçam-se, portanto, os indícios de que a conta em Mônaco mantida em nome de Jorge Luiz Zelada foi aberta no período estipulado e com a finalidade de ocultar os valores espúrios recebidos em virtude de sua atuação na Diretoria da Área Internacional da Petrobras”, afirmou o delegado Filipe Hille Pace.

O ex-diretor e o lobista do PMDB João Henriques são réus em processo na Justiça Federal do Paraná por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o contrato do Titanium Explorer. Segundo a denúncia da Procuradoria da República, a propina acertada no contrato era de 31 milhões de reais, dos quais 20,8 milhões de reais teriam sido efetivamente pagos. Segundo o Ministério Público Federal, a cota do PMDB chegou a 10 milhões de dólares em 2009.

Zelada foi sucessor do ex-diretor Nestor Cerveró, preso desde 14 de janeiro, na diretoria Internacional – cota do PMDB no esquema de loteamento político na estatal. A Procuradoria constatou que João Henriques foi executivo da Petrobras, de onde saiu para exercer a atividade de lobista.

Durante as investigações da Lava Jato, o MPF descobriu que Zelada era controlador da conta em nome da offshore Rockfield Internacional S.A. A operação conseguiu bloquear a maior parte da fortuna não declarada de Zelada: 11 milhões de euros. Em outra conta aberta no mesmo banco – esta em seu nome – havia mais 32.000 euros.

A assessoria de imprensa do PMDB negou todas as acusações e disse que a sigla nunca autorizou quem quer que seja a ser intermediário do partido para arrecadar recursos.

Segundo o criminalista Alexandre Lopes, que defende o ex-diretor da Petrobras, a denúncia “é absolutamente improcedente” e vai demonstrar a invalidade das acusações. “A denúncia não procede e está baseada em delações premiadas que não se sustentam. A defesa demonstrará a invalidade da denúncia no curso da instrução criminal”, afirmou.

Fonte: Veja.com

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