16/10/2015 15h05 - Atualizado em 16/10/2015 15h05

Audiência Pública busca sugestões para atendimento de pacientes com Síndrome Pós-Poliomielite

A síndrome pode atingir 70% dos sobreviventes da poliomielite.
Foto: ALE-AM
Foto: ALE-AM

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realizou nesta sexta-feira (16) uma Audiência Pública para discutir o impacto da Síndrome Pós-Poliomielite, uma desordem neurológica caracterizada por nova fraqueza muscular que pode atingir até 70 por cento dos sobreviventes de poliomielite paralítica aguda. A audiência foi proposta pelo deputado estadual Luiz Castro (REDE).

Segundo o proponente, a audiência teve o objetivo de difundir e sensibilizar sobre o tema, além de verificar como o estado pode atuar para garantir os direitos das pessoas acometidas pela pós-poliomielite. “Verificar o que o estado, o município de Manaus e posteriormente os municípios do interior podem e devem fazer em relação ao diagnóstico, ao acolhimento e ao tratamento destas pessoas. Essa síndrome precisa de uma visão sistêmica do serviço de saúde”, destacou o parlamentar.

Referência na área médica sobre a Síndrome da Pós-Poliomielite, o responsável pelo Setor de Doenças Neuromusculares da Unifesp, neurologista Acary Souza Bulle Oliveira, discorreu sobre a poliomielite ao longo da história, os tratamentos e campanhas e como a doença propiciou adaptações de aparelhos médicos e a evolução da causa da acessibilidade, inclusive na questão legal.

O especialista também explicou como se dá a Síndrome da Pós-Poliomielite, como foi descoberta, os principais sintomas (como fraqueza e dor muscular, fadiga excessiva, dores nas articulações, intolerância ao frio e dores de cabeça, etc) e as dificuldades enfrentadas pelos pacientes no trabalho e no convívio social. Segundo ele, a incompreensão sobre o tema ainda é grande, inclusive na área de saúde e da seguridade social, e há pouco incentivo a pesquisas sobre a síndrome. “Por ser rara quem é que vai pesquisar? Qual o laboratório que vai investir dinheiro em doença rara? Ainda mais quando já não se tem mais casos (de poliomielite) há 26 anos”, lamentou.

Carlos Mota, que possui a síndrome pós-polio, deu seu depoimento sobre o tema e defendeu que a informação sobre a doença seja socializada e a criação de uma política pública voltada aos acometidos pela síndrome. “A gente encontra dificuldade, inclusive nas juntas médicas, pois não existe o código pra síndrome pós-polio. Temos que trazer pra esse processo de discussão a socialização da informação, levar para os médicos e demais profissionais de saúde o que é essa questão. Daqui tem que sair uma proposta política para as autoridades de saúde do estado”, defendeu.

A questão da sensibilização, capacitação e da criação de uma pauta sobre o tema também foram citadas por Ronaldo André Brasil, presidente do conselho municipal dos direitos da pessoa com deficiência, e Mário Célio Alves, presidente do conselho estadual dos direitos da pessoa com deficiência. “Vamos colocar esse assunto na pauta, chamar os movimentos sociais, os segmentos, as pessoas que vivem isso pra falar um pouco dessa problemática pra haver o interesse de pesquisar, de buscar métodos de atender todas estas demandas”, disse André.

Participaram também da audiência pública o médico Francisco Tussolini, representando a Secretaria de Estado da Saúde (Susam); o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa), Isaac Benayon; o presidente da Junta Médica do Estado do Amazonas, Rubens Macambira; a gerente de programas e projetos da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped), Gisele Amaral; diretora do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria Municipal da Mulher, Luciana Farias e o advogado Marco Antonio Salum, representando a Ordem dos advogados do Brasil (OAB).

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