26/11/2015 17h29 - Atualizado em 27/11/2015 07h38

Deputados e órgãos ambientais farão inspeção em barragens de Pitinga

Inspeção de avaliação de riscos está prevista para o final da semana que vem.
Foto: Elisa Maia/ ALE-AM
Foto: Elisa Maia/ ALE-AM

Após abrir espaço para que representantes de órgãos de fiscalização ambiental e de mineração do Amazonas esclarecessem a situação das barragens da Mineradora Taboca, em Presidente Figueiredo, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), deputado Josué Neto (PSD) convidou deputados e autoridades a visitar ‘in loco’ as instalações da empresa. Josué Neto já marcou a inspeção para a próxima semana, e disse que será realizada na quinta (3) ou na sexta-feira (4).

A decisão do presidente foi tomada após uma Cessão de Tempo à diretora-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Ana Eunice Aleixo e ao geólogo e consultor executivo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Fred Cruz, em que ambos afirmaram não haver riscos de rompimento das barragens ou de qualquer acidente semelhante ao de Mariana (MG). O presidente entendeu que é necessário realizar uma vistoria ‘in loco’, com acompanhamento dos parlamentares, Ipaam, DNPM, Ibama e outros órgãos que possam auxiliar na avaliação das barragens.

Josué Neto sugeriu a visita depois que o deputado Dermilson Chagas (PDT) apresentou um vídeo, no plenário, durante a sessão, mostrando o vazamento de grande quantidade de água, em uma barragem do Pitinga. O presidente disse que as imagens da barragem são preocupantes, e por isso o Parlamento fará a inspeção com objetivo de tirar dúvidas. “Estamos convidando órgãos técnicos para possam explicar o que está acontecendo na barragem, e assim tranquilizar os trabalhadores que estão lá e a população. Queremos sair de lá pelo menos com o sentimento de dever cumprido”, disse.

Sem riscos

Durante a Cessão de Tempo, a diretora-presidente do Ipaam, Ana Eunice Aleixo, explicou que não existe risco de rompimento das barragens ou de um acidente semelhante ao de Mariana porque o tipo de barragem existente aqui no Amazonas é diferente e o volume de água é menor. “As barragens de Mariana chegam a 163 metros e as do Pitinga têm no máximo 12 metros”, começou ela. “É apenas um tanque grande. Então de forma nenhuma a gente corre o risco de acontecer o que aconteceu em Mariana”, afirmou.

O geólogo do DNPM, Fred Cruz, confirmou e disse que o único risco são os resíduos de mineração, como nióbio e urânio, mas que estes estão detidos nas barragens. Sobre o vídeo apresentado pelo deputado Dermilson Chagas, Fred Cruz disse que o vazamento aconteceu em uma barragem de geração de energia, que não é a mesma barragem de mineração e só tem água. “Esse vazamento ocorreu há três meses e já está em manutenção”, afirmou.

Cruz disse que trata-se de uma “surgência”, uma espécie de infiltração, causada por desgaste do concreto da barragem. “A empresa reduziu o nível da água e sua capacidade de geração energia na ordem de 60%, e já está fazendo essa manutenção”, disse. As obras de manutenção vão durar cerca de um ano.

Também participaram da Cessão os deputados Luiz Castro (REDE) presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e Sustentável da Casa, e Francisco Souza (PSC). Além do ex-presidente do Ipaam, Denis Dantas Lopes, e representantes da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-CTI).

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