18/11/2015 14h20 - Atualizado em 4/12/2015 15h35

Ex-ministro Gilberto Carvalho diz que pode ter agendado reunião entre Lula e lobista

À PF ele já havia admitido ser intermediário de conversas.
Foto: O Globo
Foto: O Globo

O ex-secretário-geral da Presidência Gilberto Carvalho voltou a afirmar à polícia, nesta terça-feira, que provavelmente agendou reuniões entre o ex-presidente Lula e o lobista Mauro Marcondes, vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 2009, quando estava sendo discutida a medida provisória de isenção fiscal para montadoras. Segundo ele, o ex-presidente tratou da medida provisória com vários representantes da indústria automobilística, entre eles Marcondes. Em depoimento à Polícia Federal, no dia 26 de outubro, Carvalho já havia admitido que foi o intermediário das conversas – uma das funções atribuídas a ele.

“Não tenho cópia da agenda do presidente [Lula] aqui comigo. Mas digo que é possível, sim, que o presidente Lula tenha recebido o Mauro Marcondes como recebeu dezenas de outros empresários do setor. Esse era um assunto de alto interesse do país”, disse ao jornal O Globo. O ex-ministro negou, no entanto, qualquer irregularidade no agendamento do encontro. “O ridículo dessa história, a vergonha para quem conhece a tramitação de uma medida provisória, é achar que tem alguma coisa errada do gabinete do presidente nisso aí.”

Marcondes foi preso pela Polícia Federal em outubro, na mais recente etapa da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal. Ele é acusado de intermediar a compra de trechos de uma medida provisória favorável a Caoa, representante da Hyundai, e da MMC, a fábrica da Mitsubishi no Brasil. Uma das empresas do lobista, a Marcondes & Mautoni, fez pagamentos de 2,4 milhões de reais ao filho caçula de Lula, Luís Cláudio da Silva, que teria procurado a consultoria para garimpar novos recursos no setor automotivo.

De acordo com o jornal, o ex-ministro argumentou que a medida provisória era de interesse do país, já que as isenções fiscais faziam parte de uma política do governo para estimular o crescimento da economia brasileira – na época, o restante do mundo vivia a crise econômica criada pela bolha de 2008. Segundo Carvalho, não era problema dele se algumas empresas resolveram fazer pagamentos a lobistas.

Sobre a decisão da Receita Federal de pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal de Carvalho e do restaurante da filha dele, o ex-ministro protestou: “Minha filha tinha um restaurante que, infelizmente, quebrou. Se eu vender tudo que eu tenho, se ela vender tudo que ela tem, não é suficiente para pagar a dívida com o Banco do Brasil, que está em 1,4 milhão de reais. Dizer que isso é lavagem de dinheiro?”.

Fonte: Veja.com

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