06/11/2015 14h06 - Atualizado em 6/11/2015 14h06

Hidrelétricas do rio Madeira prejudicam economia de cidades do Amazonas

Dermilson Chagas presidiu audiência pública que apontou os impactos ambientais.
Foto: Divulgação
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Os impactos ambientais gerados pelas hidrelétricas do rio Madeira causam prejuízos econômicos aos municípios do Amazonas que ficam ao longo do rio onde vivem 199 mil pessoas. A constatação foi apontada na Audiência Pública “Impactos ambientais da instalação das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau na calha do Madeira”, proposta pelo deputado estadual Dermilson Chagas (PDT-AM).

Participaram da audiência representantes do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Federação das Empresas de Transportes de Cargas da Amazônia (FETRAMAZ), Ministério das Minas e Energia e vereadores das cidades da calha do Madeira.

O presidente da Câmara Municipal de Manicoré, Roberval Edgar, disse, durante a audiência, que grandes áreas de várzea, usadas para agricultura e pesca do ribeirinho, foram prejudicadas porque o regime natural de cheia e vazante foi alterado. “Isso impactou demais a nossa economia. Manicoré tem muito seringais e muitos estão alagados. Como todos sabem a produção em terra firme é menor que na várzea e como ela foi atingida. Tivemos perdas na nossa produção rural. Com a cheia de 2014, perdemos 100% da produção rural nas várzeas Os peixes estão mais raros. Esse cenário é o mesmo nas cidades vizinhas”, afirmou.

O deputado Dermilson Chagas, que preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR), afirmou que os dados apresentados durante a audiência pública farão parte de uma ação onde o Ministério Público Federal (MPF) será acionado porque medidas urgentes são necessárias na região.

“Quem conhece o rio Madeira sabe como ele está. Temos impactos na várzea que prejudica a produção de alimentos e na pesca já que a hidrelétricas interferem na migração dos peixes. Vamos reunir todas as informações prestadas aqui e os estudos científicos para subsidiar uma ação no MPF”, disse.

Durante a audiência o pesquisador doutor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, apresentou dados científicos sobre os impactos ambientais das usinas onde, há impactos reais na migração do pescado e distribuição de sedimentos, essenciais para cadeia alimentar dos peixes.

Prejuízo à navegação

Uma reunião técnica já foi feita no dia 19 de junho deste ano. Na ocasião, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou que as barragens de Santo Antônio e Jirau provocaram alteração na velocidade e curso do Madeira, o que aumentou o assoreamento do rio. Segundo o órgão, a dragagem (retirada de sedimentos do fundo do rio para aumentar profundidade e facilitar a navegabilidade) era necessária a cada cinco anos. O Dnit informou que, após a obra, a manutenção da dragagem precisa ser feita uma vez ao ano, o Governo Federal não tem recursos financeiros para realizar o serviço e assim pretende privatizar o rio.

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