15/12/2015 13h24 - Atualizado em 15/12/2015 13h25

Pesquisa sobre acidentes e violência norteará ações de saúde em Manaus

O estudo é do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) divulgou o resultado preliminar da Pesquisa Nacional Viva Inquérito 2014, que traça o perfil epidemiológico das vítimas de violência e acidentes atendidas em serviços de urgência e emergência. A pesquisa faz parte das ações desenvolvidas pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), implantado em 2006 pelo Ministério da Saúde para coletar dados e gerar informações que possam subsidiar políticas em saúde pública e ajudar na elaboração de ações de prevenção.

Manaus participou pela primeira vez da pesquisa em 2014, executada sob a coordenação da Semsa, em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam).

“A pesquisa veio contribuir para a descrição do perfil e epidemiológico das vítimas de violências e acidentes, tipos de violências e acidentes, circunstâncias, natureza das lesões e evolução do atendimento. A partir dos resultados, os gestores poderão tomar as decisões mais adequadas para a prevenção nos serviços de saúde”, explicou o secretário da Semsa, Homero de Miranda Leão.

A pesquisa Viva Inquérito 2014 aconteceu no período de 1º a 30 de setembro de 2014 em quatro unidades de atendimento: H.P.S. Dr. João Lúcio Pereira Machado (São José I); Hospital Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo (Jorge Teixeira); H. P. S. da Criança – Zona Leste (São José I); e SPA Eliameme Rodrigues Mady (Galiléia).

Os pesquisadores realizaram em Manaus 2.515 entrevistas com todas as vítimas de violências e acidentes que deram entrada nas quatro unidades durante o período da pesquisa e em turnos pré-selecionados.

A chefe do Núcleo de Prevenção a Riscos à Saúde por Causas Externas da Semsa, Ana Carolina Leão, informa que a pesquisa apontou que os indivíduos do sexo masculino representaram a maior proporção dentre os atendimentos (66,5%), sendo que a faixa etária prevalente nos atendimentos por violências e acidentes foi a de 20 a 39 anos (38,3%), seguida da faixa etária de 0 a 9 anos (23,3%).

Do total de atendimento, apenas 10,2% dos entrevistados declararam o consumo de bebida alcoólica, sendo maior entre os homens (81,6%) que entre as mulheres (18,4%). De acordo com o local de ocorrência do acidente ou violência, o mais freqüente foi em domicílios (43,4%), seguidos de eventos ocorridos em via pública (35%).

Em relação aos tipos de acidentes, a pesquisa mostrou predominância das quedas (42,3%), seguidas de acidentes de transporte (27,5%) e queimaduras (1,3%). Os demais tipos acidentes somados totalizaram 28,9% dos atendimentos.

Para Ana Carolina Leão, um dos destaques da pesquisa são as informações obtidas sobre os acidentes de transportes. Do total de 607 atendimentos, 68,5% ocorreram entre homens. Na condição de condutor o homem se sobressai como vítima (89,8%) e na condição de passageiro há predominância entre as mulheres (68,9%).

A motocicleta foi apontada como o meio de locomoção utilizado pela maioria das vítimas de acidentes de transporte (61,1%), variando de 24% entre as mulheres a 76% entre os homens. Apenas 15,8% de atendimentos registrados por acidente de transporte envolveram vítimas pedestres.

“Também chamou a atenção a não utilização de equipamentos de segurança na maioria dos casos envolvendo acidentes de transporte. Entre as 102 vítimas ocupantes de automóvel, apenas 15 apontaram o uso de cinto de segurança no momento do acidente (2,5%). Dos 505 motociclistas envolvidos em acidentes, apenas 226 relataram a utilização de capacete (37,2%). Já o uso de dispositivo de retenção para o transporte de crianças não foi relatado em
nenhum dos 24 atendimentos. Esses dados mostram que, apesar das ações educativas realizadas pelas instituições envolvidas nas ações de trânsito, a população ainda tem dificuldade em aderir ao uso dos equipamentos de segurança”, destacou Ana Carolina.

A pesquisa Viva Inquérito 2014 registrou 303 atendimentos por violências. Entre os atendimentos, 94,1% foram agressões, 3,9% foram lesões autoprovocadas e 2% foram agressões por intervenção legal.

Foram 285 atendimentos por agressões registrados na pesquisa, 77,9% ocorreram entre homens, predominando as agressões do tipo física (98,1%), com a utilização de força corporal/espancamento (36,8%), objeto perfuro cortante (33%), arma de fogo (16,5%) e objeto contundente (12,2%). Os principais tipos de agressores foram identificados como desconhecidos (48%) e amigo (21,4%). Independente do sexo da vítima, o agressor predominante foi do sexo masculino (71,6%).

Tanto para violência e acidentes, na evolução de casos nas primeiras 24 horas, a maioria das vítimas recebeu alta (60,3%) após o atendimento de emergência inicial, enquanto 19,9% foram encaminhadas para a internação hospitalar e 10% tiveram encaminhamento apenas ambulatorial nas primeiras 24 horas.

“Os dados obtidos já foram utilizados na elaboração das ações do Plano Anual de Saúde (PAS) 2016 para o município de Manaus, subsidiando as medidas de prevenção que a Semsa irá executar no próximo ano”, informa Ana Carolina.

O Ministério da Saúde realizou a pesquisa Viva Inquérito em 26 capitais, no Distrito Federal e em 12 municípios selecionados. Os resultados finais da pesquisa em nível nacional ainda estão sendo finalizados para divulgação.

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