04/02/2016 20h09 - Atualizado em 8/02/2016 14h02

“Manaus é a capital mundial do câncer de colo uterino”, diz médica

Taxa de incidência desse tipo de câncer em Manaus é a maior do mundo.
Em Cessão de Tempo na ALE-AM, a médica Mônica Bandeira de Melo falou sobre o exame de Papanicolau mais eficaz. (Foto: Alberto Cesar Araújo/ALE-AM)
Em Cessão de Tempo na ALE-AM, a médica Mônica Bandeira de Melo falou sobre o exame de Papanicolau mais eficaz. (Foto: Alberto Cesar Araújo/ALE-AM)

A médica ginecologista Mônica Bandeira de Melo apresentou, nesta quinta-feira (4), em uma Cessão de Tempo, proposta pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto (PSD), um novo exame de Papanicolau capaz de aumentar em 100% a precisão dos diagnósticos de câncer de colo de útero, causado pelo HPV (Papiloma Vírus Humano). Segundo ela, o exame convencional feito no Sistema Único de Saúde (SUS) está propenso a falhas e contribui para que Manaus seja a cidade com maior número de mortes por câncer de colo uterino do mundo.

O novo método é o exame de Papanicolau com Citologia em Meio Líquido, com leitura computadorizada. Segundo ela, atualmente a amostra coletada do colo do útero é analisada em lâminas, uma por uma, no microscópio. “O problema é que essas amostras, muitas vezes contêm resíduos, como sangue, pus, secreção, que dificultam a identificação do vírus. Imagine que você está procurando a tarrachinha de um brinco em um chão todo sujo, cheio de folha. Assim é o método convencional. Na citologia em meio líquido, isso não acontece. É mais limpo e fácil de visualizar, porque só tem as células. Isso acaba com aquela situação que a gente chama de falso negativo”, disse.

Na citologia por meio líquido, a amostra é colocada direto em um recipiente com um líquido que vai permitir a visualização mais limpa das células e do vírus com muito mais facilidade. Essa leitura, segundo Melo, é feita por computador. De acordo com a médica, no método convencional apenas 20% do material coletado é aproveitado para o exame. Já no método por citologia em Meio Líquido, o aproveitamento é de 100%. Ainda segunda ela o novo exame é um pouco mais caro, R$ 40, ou U$ 10, em relação ao convencional, R$ 7, mais compensará nos gastos públicos com o tratamento do câncer, cerca de R$ 17 mil por cada sessão de quimioterapia.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), nos países desenvolvidos a taxa de mortes por esse tipo de câncer é menos de 10 a cada 100 mil habitantes. Em todo o Brasil essa taxa é de 19,20, e no Amazonas é de 35,13 mortes a cada 100 mil habitantes. Segundo a médica, só a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), identifica pelo menos 200 mortes por esse tipo de câncer por ano.

A ginecologista apresentou uma série de medidas que podem contribuir para a redução desses números a médio e longo prazo como a implantação do novo método de Papanicolau, ampliação das unidades públicas capazes de realizar o exame preventivo, a colposcopia (biópsia para os casos de suspeita do câncer), e conização (minicirurgia de tratamento e cura de pequenas lesões cancerígenas).

A médica recebeu o apoio do presidente Josué Neto e demais deputados, como Luiz Castro (REDE), Alessandra Campêlo (PCdoB), e do diretor de Saúde da Aleam, Arnoldo Andrade, no sentido de somar esforços para a implantação do novo método, e divulgação dos cuidados e da gravidade da doença.

O presidente Josué Neto informou, após a Cessão que sua assessoria já está trabalhando, em parceria com a doutora Mônica Melo, a criação de uma lei que cria o Dia Estadual de Combate ao HPV. O presidente disse ainda que os dados apresentados durante a Cessão serão encaminhados aos secretários de Saúde do Estado, e do Município de Manaus.

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