29/02/2016 13h55 - Atualizado em 29/02/2016 13h55

Rio Preto da Eva prioriza combate à violência sexual contra jovens

O tema foi discutido, em reunião na sexta-feira (26), e contou a participação de professores, psicólogos e pais.
Foto: Divulgação
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A adoção de medidas preventivas contra a prática criminosa do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, em Rio Preto da Eva, foi apontada como prioridade pelos representantes da comunidade, durante Audiência Pública realizada sexta-feira (26) no município, por iniciativa da Frente Parlamentar de Enfrentamento à Violência Sexual contra a Criança e o Adolescente (Frenpac), presidida pelo deputado estadual Luiz Castro (REDE).

A reunião, realizada no auditório da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, reuniu os representantes do Conselho Tutelar, da Secretaria Municipal de Assistência Social, do CRAS e CREAS, além de professores, assistentes sociais, psicólogos, religiosos e pais de família.

Eles defenderam ações de prevenção das causas da violência sexual, começando no seio das famílias, onde muitas vezes ocorrem as agressões e as pequenas vítimas têm que conviver com o algoz, sofrendo além da violação física, forte pressão psicológica.

“A violência sexual causa prejuízos irreversíveis às vítimas, e precisamos saber como lidar com o problema, saber identificar os sinais pelo comportamento retraído, pelo sentimento de vergonha que elas carregam. E isso acontece dentro da família”, ressaltou a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDC), Maria Eugênia Silva.

Ela defendeu a criação de uma Casa de Acolhimento para que as vítimas de violência sexual não fiquem expostas à ação dos agressores. “Precisamos agir e cobrar dos nossos representantes nos Parlamentos e do Poder Público, a garantia da proteção dos direitos das nossas crianças”, reagiu.

O deputado Luiz Castro lamentou a ausência dos vereadores de Rio Preto da Eva na audiência, considerando a importância da discussão para a comunidade, na definição de políticas públicas de proteção dos direitos da infância e juventude. Outra ausência sentida foi a dos gestores de escolas públicas.

A atuação das igrejas também foi apontada como fundamental no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. “As igrejas e suas lideranças tem que ter uma visão ampla desse problema e trabalhar com as famílias”, defendeu o pastor Neto Calderaro, da Igreja da Paz. “Sabemos que existem pais que até fazem barganha com seus filhos em troca de algum benefício. E isso precisa mudar”, afirmou.

A secretária municipal de Assistência Social, Diene Santiago considerou preocupante a situação da infância e juventude, mas disse que está empenhada em buscar soluções junto com o Conselho Tutelar, com o CRAS e CREAS. Ele se comprometeu em articular a criação de uma comissão na Câmara Municipal para tratar da proteção da criança e do adolescente.

O delegado de Polícia de Rio Preto da Eva, Charles Araújo destacou a gravidez como outro grave problema resultante da exploração sexual de adolescentes. “Os casos são chocantes de meninas grávidas a partir de 11 e 12 anos. São crianças que deviam ser protegidas”, lamentou.

Pela sua experiência de trabalho em outros municípios, ele afirmou que no interior as meninas iniciam a vida sexual muito cedo e que isso acaba sendo tratado como “cultural”. Essa mentalidade, segundo ele tem que mudar porque não é normal que meninas se tornem mães.

“Temos que combater isso no âmbito familiar, as famílias devem proteger as crianças”, salientou o delegado, orientando as pessoas a denunciar os casos de aliciamento, de abuso e exploração sexual de menores de idade. Qualquer cidadão pode acionar o disk 100, sem precisar se identificar.

Para a coordenadora do Conselho Tutelar, Deborah Alecrim os órgãos de proteção precisam atuar de forma integrada. Ela defendeu a instalação do Serviço de Atenção Especializada às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Savis) no município, com médicos peritos para atender as vítimas, a fim de evitar situações desgastantes e constrangedoras de deslocamento até Manaus em busca de exames.

“Precisamos de atendimento especializado no Hospital do município, onde a vítima que sofreu violência sexual tem que esperar junto com os demais pacientes, expondo-se ao constrangimento e à curiosidade das pessoas”, reclamou Deborah Alecrim.

Ao final da audiência, o deputado Luiz Castro afirmou que as sugestões apresentadas visando a melhoria da rede de proteção às crianças e ao adolescente serão sistematizadas em um documento que será entregue à Prefeitura de Rio Preto da Eva e aos órgãos estaduais vinculados à defesa dos direitos da infância e juventude.

Também participaram da audiência o deputado estadual Carlos Alberto, presidente da Comissão do Jovem, da Criança e do Adolescente; o coordenador regional do Movimento dos Direitos Humanos, Renato Souto e a coordenadora do Iacas/Ecpar Brasil, Amanda Ferreira.

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