16/03/2016 16h13 - Atualizado em 16/03/2016 16h13

Em entrevista coletiva, Dilma diz que Lula “terá os poderes necessários para ajudar o Brasil”

Ela também fez questão de destacar que Lula seguirá investigado e que a nomeação não afeta os rumos da Operação Lava Jato.
Foto: Reprodução/NBR
Foto: Reprodução/NBR

A presidente Dilma Rousseff ressaltou o “compromisso” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o equilíbrio fiscal e o controle da inflação, em sua primeira entrevista à imprensa após ter sido anunciada a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. Ela também fez questão de destacar que Lula seguirá investigado e que a nomeação não afeta os rumos da Operação Lava Jato.

Perguntada por jornalistas se Lula teria “superpoderes”, a presidente tentou minimizar a possibilidade de seu antecessor, e principal fiador político, atuar de fato como uma espécie de primeiro-ministro, o que esvaziaria seu poder no cargo. “Tem seis anos [tempo de mandato] que vocês [jornalistas] tentam me separar do Lula. A minha relação com o Lula não é uma relação de poderes ou superpoderes. A minha relação com Lula é uma sólida relação de quem constrói um projeto juntos. Então o presidente Lula, no meu governo, terá os poderes necessários para nos ajudar, para ajudar sobretudo o Brasil. Tudo o que ele puder fazer para ajudar o Brasil será feito”, afirmou a presidente. “A vinda do Lula para meu governo fortalece meu governo, e tem gente que não quer ver ele fortalecido.”

Recado ao mercado
Dilma deu um recado claro ao mercado, destacando o “compromisso” de Lula com o equilíbrio fiscal. “O presidente Lula tem uma trajetória que eu reputo muito expressiva também pelo seu compromisso pela estabilidade fiscal e controle da inflação. Compromisso esse que não é um compromisso meramente retórico, ele se expressa numa situação muito significativa, que é a atuação ao longo dos oito anos do governo dele”, disse.
A presidente também destacou a “inequívoca experiência política” do presidente e sua experiência com políticas públicas.

Negou também que haja novas trocas ministeriais, que teriam sido pedidas por Lula. Não saem “nem o ministro Nelson Barbosa [Fazenda] nem o ministro Tombini [Banco Central]. Pelo contrário. Eles estão mais dentro do que nunca”, disse. “Tem coisa que está um pouquinho acima no noticiário especulativo”, afirmou a presidente.

O anúncio da volta de Lula ao governo levou o mercado a especular que poderiam ser adotadas medidas heterodoxas de estímulo à economia, o que provocou o temor de analistas que defendem principalmente medidas de ajuste fiscal para superar a crise econômica.

Após o anúncio da nomeação do ex-presidente, a Bolsa de Valores registrou queda e o dólar passou a operar em alta.
Lula assume a Casa Civil no lugar de Jaques Wagner, que passa a ocupar a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República. A posse será na próxima terça-feira (22).

O anúncio oficial põe fim a um impasse que começou há pelo menos duas semanas. No último dia 4, o ex-presidente e agora ministro foi conduzido coercitivamente pela PF (Polícia Federal) durante a 24ª fase da operação Lava Jato.

Aliados propuseram a ida de Lula para um ministério como uma forma de ele conseguir foro privilegiado para que, assim, as investigações que tramitam contra ele na Justiça Federal do Paraná e na Justiça de São Paulo passem a tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal).

A chegada de Lula ao ministério da presidente Dilma acontece três dias depois de manifestações contra o governo Dilma e o PT terem reunido três milhões de pessoas em todo o país de acordo com a PM (Polícia Militar). Entre os principais alvos dos manifestantes, estavam a presidente Dilma e Lula.

Uol.com

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