18/03/2016 17h44 - Atualizado em 18/03/2016 17h48

Senado exonera assessor de Delcídio que gravou conversa com Mercadante

Além dele, foi exonerado o chefe de gabinete do senador Delcídio.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Senado exonerou o assessor do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) que gravou uma conversa com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. A exoneração de Eduardo Marzagão foi publicada nesta sexta-feira (18) no “Diário Oficial”. Além de Marzagão, foi exonerado o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira.

A gravação com Mercadante foi anexada à delação premiada de Delcídio na Operação Lava Jato. Segundo Marzagão, Mercadante o procurou para oferecer ajuda a Delcídio e evitar que o senador fechasse acordo com o Ministério Público para contar o que sabe em troca de uma redução da pena.

As exonerações estão assinadas pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka. Foram justificadas com base no inciso da lei do servidor público que permite a exoneração de cargos de confiança (casos de Marzagão e Ferreira) “a juízo da autoridade competente”.

Ao G1, Marzagão afirmou que não foi avisado da exoneração e que não quebrou a confiança do Senado. Ele afirmou ainda que Dilma e Mercadante pediram que ele fosse exonerado, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, acatou.

Procurada peo G1, a assessoria de imprensa do Ministério da Educação ainda não havia dado uma resposta sobre a fala do assessor de Delcídio. A assessoria da Presidência da República afirmou que não vai comentar as declarações.

Segundo a assessoria de Renan Calheiros, o presidente do Senado não recebeu nenhum pedido para exonerar Diogo Ferreiera e Marzagão. A assessoria explicou que Renan, como presidente, tem o poder de fazer as exonerações. Afirmou ainda que, na gravação da conversa com Mercadante, Marzagão diz que Renan havia ofendido a presidente em uma conversa com terceiros, o que a assessoria de Renan nega.

A assessoria de imprensa do Senado informou que cargos comissionados, como os que eram ocupados por Diogo Ferreira e Eduardo Marzagão, são de “livre exoneração, a critério da administração”, o que dá ao presidente do Senado, Renan Calheiros, a prerrogativa de demitir funcionados comissionados, ainda que estes sejam subordinados a outros senadores.

“Marzagão atribuiu ao presidente Renan Calheiros uma ofensa contra Dilma Rousseff nunca proferida, portanto, quebra de confiança. No caso do Diogo o Senado cumpre expressa determinação judicial que, ao conceder a liberdade, proibiu o contato dele com os demais investigados. Diogo estava lotado no gabinete do senador Delcídio, um investigado”, diz a assessoria de Renan.

Delcídio foi preso em novembro do ano passado após ser flagrado em uma gravação oferecendo dinheiro e ajuda logística para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró fugir do país. Afastado do PT, o senador ficou 87 dias na cadeia, mas foi liberado pelo Supremo em fevereiro depois de fechar o acordo de delação premiada.

Gravações

As conversas de Mercadante reveladas nos depoimentos do ex-líder do governo não foram diretamente com Delcídio, mas com um assessor de confiança do senador do PT chamado José Eduardo Marzagão. Mercadante teria se reunido duas vezes com o auxiliar de Delcídio em seu gabinete no Ministério da Educação.

As conversas foram gravadas por Marzagão e entregues à PGR, que investiga o envolvimento de políticos no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

“Aloísio Mercadante buscou conversar com Eduardo Marzagão, tendo este gravado os diálogos mantidos a partir de então”, diz trecho da delação de Delcídio do Amaral.

Em entrevista coletiva no dia em que a gravação foi divulgada, Mercadante afirmou que “jamais” tentou impedir a delação de Delcídio e que as gravações mostram trechos nos quais ele ressaltava que a decisão de fazer o acordo com o Ministério Público era do ex-líder do governo. O ministro disse ainda que trechos específicos da conversa foram divulgados, enquanto outros foram omitidos.

Aos procuradores da República, o senador do PT contou que, nas conversas mantidas com seu assessor, Mercadante queria transmitir a mensagem de que Delcídio não deveria dar informações ao Ministério Público sobre fatos relacionados à Lava Jato.

“[Mercadante] disse a Eduardo Marzagão para o depoente ter calma e avaliar muito bem a conduta a tomar diante da complexidade do momento político; que a mensagem de Aloísio Mercadante, a bem da verdade, era no sentido do depoente não procurar o Ministério Público Federal, para, assim, ser viabilizado o aprofundamento das investigações da Lava Jato”, afirma o documento.

Fonte: G1

*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.

Ultimas notícias

Contato Termos de uso Wp: (92) 99344-0505