29/04/2016 16h24 - Atualizado em 29/04/2016 16h24

Estado gasta R$ 43,4 milhões por mês na “academia do crime”, afirma juiz

Custo médio de cada preso para o Estado é de R$ 4 mil por mês.
Juiz Henrique Veiga Lima na audiência Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas.  (Foto: ALE-AM)
Juiz Henrique Veiga Lima na audiência Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas. (Foto: ALE-AM)

O coordenador da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), juiz Henrique Veiga Lima, afirmou nesta sexta-feira (29) em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) que o custo médio mensal de um preso para o Estado é de cerca de R$ 4 mil. Hoje, segundo dados da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), existem cerca de 10,8 mil presos na capital, o que representa um custo de pelo menos R$ 43,4 milhões ao mês, e R$ 521,1 milhões ao ano para o Governo do Estado.

“É um dinheiro que está sendo mal gasto, porque estamos gastando uma fortuna com a academia do crime”, afirmou lembrando as péssimas condições das penitenciárias do Estado, e falta de políticas de ressocialização que para ele só contribuem para o aumento da criminalidade no Estado. “Quando o preso tem condições, dos presos convenientes trabalhados, pelo menos sete não voltam para o sistema (quando ganham liberdade não voltam a cometer crime). Quando não temos isso (ressocialização), essa taxa de reincidência é muito grande”, afirmou.

Os dados foram confirmados pelo secretário de Estado de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio, que informou que há sete meses vem trabalhando para mudar a situação das penitenciárias do Estado. As informações foram dadas durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Amazonas que debateu o cumprimento da lei estadual que prevê reserva de vagas de emprego para ex-presidiários e presos do regime aberto e semiaberto em empresas que firmam contrato com o Estado.

Durante a audiência, a juíza Rosália Guimarães, titular da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (2ª Vecute), lembrou que o Estado gasta cerca de R$ 2 mil ao mês para manter um estudante no ensino médio, valor 50% inferior ao gasto com um preso. “Se a população for consultada sobre onde quer investir mais dinheiro não será difícil chegar a um resultado. Então é preciso pensar onde querem que gastem o dinheiro que estão pagando”, disse.

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