26/04/2016 08h47 - Atualizado em 26/04/2016 08h47

Portos precários e ausência de hidrovias travam rota comercial Manta-Manaus

Trajeto pode reduzir rota comercial entre Brasil e Ásia em 25 dias.
Falta de uma alfândega no Porto de Tabatinga foi apontada como um dos principais entraves. Foto: (Divulgação)
Falta de uma alfândega no Porto de Tabatinga foi apontada como um dos principais entraves. Foto: (Divulgação)

Encurtar em 25 dias a duração do transporte de mercadorias entre Ásia e Manaus é o principal objetivo da rota multimodal Manta-Manaus. A implantação efetiva da rota foi alvo de Audiência Pública, nesta segunda-feira (25), realizada pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em Manaus.

Segundo informações do deputado, o tempo de trajeto entre Ásia e Manaus varia entre 31 e 35 dias, sendo 22 dias apenas de Manta (Equador) a Manaus. O mesmo percurso com saída da Ásia aumenta para 41 a 60 dias quando há passagem pelo Canal do Panamá, “sem falar nos dias em que os navios ficam na fila esperando a vez pra passar no Canal do Panamá”.

A rota é utilizada atualmente, mesmo que de forma precária e por embarcações de pequeno porte, “porque alguns rios precisam ser transformados em hidrovias de verdade e os portos do lado brasileiro ainda são ruins, são simples”, como apontou o diretor do Escritório Comercial do Equador no Brasil, Alexis Villamar Fabara.

“Pensamos em vender flores e produtos alimentícios, produtos do setor primários, e esperamos comprar motocicletas, celulares, televisores e linha branca”, adiantou Fabara, cujo escritório é ligado diretamente ao Ministério do Comércio Exterior do Equador, sobre os produtos que seriam inicialmente comercializados entre Equador e Brasil.

O ministro da Embaixada do Equador no Brasil, Santiago Chávez, mostrou-se animado com a possibilidade da melhoria de condições da rota Manta-Manaus, principalmente depois que a presidenta do Brasil Dilma Rousseff visitou a capital equatoriana Quito, em 26 de janeiro deste ano, quando classificou o projeto de estruturação da rota como “prioridade para o comércio brasileiro com a América do Sul”.

“Não somente a presidente do Brasil, mas a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) também vê Manta-Manaus como prioridade. Esse fato deixa o governo equatoriano muito feliz. Pensamos que agora finalmente a rota será melhorada e poderemos fortalecer nossas relações comerciais”, disse Chávez.

A reunião teve, ainda, participação de representantes da Prefeitura de Manaus e de Tabatinga, do Governo do Estado do Amazonas, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam).

“Não adianta o Equador viabilizar o lado deles, com portos e estradas de primeira, e quando chegar ao Brasil a coisa parar por falta de infraestrutura em porto e pelos rios estarem sem dragagem, sem condições de ser uma hidrovia de fato”, concluiu o autor da audiência pública, deputado estadual Sinésio Campos.

A Audiência Pública foi encerrada com quatro encaminhamentos: criação da Frente Parlamentar Peru-Equador-Brasil para implantação efetiva da rota multimodal Manta-Manaus (1); reativação da Comissão Bilateral para o Eixo Multimodal Manta-Manaus, criada em 4 de abril de 2007, pelos presidentes brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e equatoriano Rafael Correa Delgado (2); constituição de um grupo de trabalho do projeto eixo multimodal Manta-Manaus para defender os interesses do Amazonas e da Amazônia (3); e melhoria da infraestrutura do Porto de Tabatinga, com instalação de uma alfândega no local.

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