08/04/2016 07h40 - Atualizado em 8/04/2016 09h15

Risco de desabamento no túmulo de Jesus une cristãos rivais

O acordo de 22 de março prevê uma reforma de US$ 3,4 milhões (cerca de R$ 12,6 milhões).
Foto: Reprodução
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Era um dia típico no santuário ao redor do que muitos acreditam ser a tumba de Jesus, na Cidade Velha de Jerusalém. Um coro ortodoxo grego cantava em uma sala de frente para a estrutura barroca. Mas as vozes foram se esvaindo quando os padres e monges armênios ao redor do santuário ergueram as suas.

“Às vezes eles trocam socos”, observou, encolhendo os ombros, um guarda da igreja, Farah Atallah, que usava um fez.

Atallah é uma antiga testemunha das rivalidades entre as comunidades ortodoxa grega, ortodoxa armênia e católica que enciumadamente compartilham –e às vezes disputam– o que consideram o local mais sagrado do cristianismo, o interior da igreja do Santo Sepulcro.

Em meio à rivalidade, a instável estrutura de 206 anos, reforçada por uma gaiola de ferro de 69 anos, é um símbolo desconfortável, muitas vezes embaraçoso, das divisões cristãs, que periodicamente irromperam em tensão.

Em 2008, monges e padres discutiram ao lado do santuário, trocando socos e puxões de cabelo não longe da tumba onde os cristãos acreditam que Jesus ressuscitou.

Mas nas últimas semanas foram levantados andaimes a poucos centímetros do santuário, à sombra dos Arcos da Virgem. Foi o primeiro passo em um raro acordo entre as várias comunidades cristãs para impedir que o santuário dilapidado, também chamado de Edícula, desmorone.

O acordo de 22 de março prevê uma reforma de US$ 3,4 milhões (cerca de R$ 12,6 milhões) a ser iniciada no próximo mês, depois das comemorações da Páscoa ortodoxa.

Cada grupo religioso contribuirá com um terço dos custos, e um banco grego ofereceu 50 mil euros (R$ 211 mil) para os andaimes, em troca de ter seu nome estampado no maquinário.

A ideia é remover camadas com centenas de anos de história do santuário, limpá-lo e remontá-lo. Muito simples, mas adiado há décadas por causa das complexas regras e tradições minuciosas de séculos –chamadas de “status quo”– que definem o modo como os lugares santos de Jerusalém são governados, em que o próprio fato de consertar alguma coisa pode implicar sua propriedade.

“Uma das questões sérias na igreja é que o status quo sobrepõe qualquer outra consideração, e não é uma boa coisa”, disse Athanasius Macora, um frade franciscano. “A união é mais importante que uma guerra territorial.”

A inspiração para essa união foi a ameaça de perder completamente o santuário. Alarmada por relatos de que o santuário corria risco de desabamento, a polícia israelense o interditou durante várias horas em 17 de fevereiro de 2015, expulsando os monges que o guardavam e impedindo a entrada de centenas de peregrinos.

A mensagem foi clara: consertem-no, ou…

Fonte: UOL Notícias

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