01/04/2016 09h16 - Atualizado em 5/05/2016 00h19

‘Suécia quer investir no Amazonas’, afirmam suecos em visita à ALE

Os parlamentares suécos vieram ao Amazonas com interesse no mercado de reciclagem.
Visita Oficial de representantes da Comissão de Constituição de Parlamento Sueco (Foto: Assessoria/ ALE-AM)
Visita Oficial de representantes da Comissão de Constituição de Parlamento Sueco (Foto: Assessoria/ ALE-AM)

Membros da Comissão de Constituição do Parlamento Sueco informaram nesta quinta-feira (31), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que empresas suecas têm interesse em firmar parcerias e investir no Amazonas, principalmente através de iniciativas sustentáveis, como reciclagem de resíduos sólidos. A informação foi divulgada durante reunião no plenário, com a presença da maioria dos deputados do Amazonas.

A Comissão está no Brasil, segundo o presidente, deputado Björn von Sydom, para uma troca de experiências e pesquisa de campo sobre as políticas públicas para indígenas, economia da região, além de políticas de meio ambiente, sustentabilidade e pesca. A Comissão visitou fábricas do polo industrial de Manaus e também manteve reuniões com o Governo do Estado.

Na ALE, a deputada Lisbeth Sundén Andersson, informou que há algum tempo empresas suecas têm interesse no mercado de reciclagem de resíduos sólidos do Brasil, mas enfrentam dificuldades de contato. “Sobre a reciclagem tem uma empresa familiar fundada em 1948 que tem tentado fazer negócios no Brasil, tem tentando fazer contatos aqui, mas é um pouco difícil chegar até as pessoas que queremos falar, mas gostaríamos de fazer negócios aqui”, afirmou. Björn Sydom informou que as empresas interessadas em fazer parcerias com a Suécia podem procurar o consulado ao a embaixada aqui no Brasil.

Durante a conversa com os deputados do Amazonas, os parlamentares suecos trocaram informações sobre como promover o desenvolvimento do Estado em equilíbrio com o meio ambiente, vencer crises econômicas, já que a Suécia vivenciou uma grave crise na década de 1990, e ainda sobre política, formação de partidos, troca de partidos, e espaço concedido para as mulheres na política.

Ao responder uma pergunta do deputado Dermilson Chagas (PEN) e Vicente Lopes (PMDB) sobre como equilibrar economia com ecologia, o deputado sueco Jonas Gunarsson disse é natural de uma cidade pequena do interior da Suécia, com uma população pequena e a maior reserva de água potável daquele país, e por isso vivencia o mesmo impasse de promover o equilíbrio entre a economia e a ecologia. “Nós nos perguntamos como podemos nos beneficiar desses recursos maravilhosos sem destruí-los. Não é um caminho fácil, mas seria necessário decidir se íamos usá-lo industrialmente ou deixá-lo como está para o turismo. Mas o que vimos é que a sociedade precisa das duas coisas, por isso usamos uma parte para produção de papel, entre outras coisas, e outra parte para o turismo”, afirmou.

O parlamentar ressaltou no entanto que na Suécia quase tudo é reciclado, e não existem mais lixões ou reservatórios de lixo. E até os resíduos biológicos, geralmente descartados no Brasil, são usados na geração de energia como biogás. “Isso, é claro, não aconteceu de um dia para a noite, levou muito tempo, mas conseguimos chegar a isso hoje”, disse. Ainda segundo ele, a rigidez da legislação ambiental não foi vista como empecilho, mas como forma de equilibrar a economia e a ecologia.

Mulheres

Ao responder a pergunta da deputada Alessandra Campêlo (PMDB) sobre a participação das mulheres na política sueca, a deputada Mia Sydow Mölleby informou que 47% do parlamento sueco é composto de mulheres, mas lá não existe cota para candidatos por sexo. Segundo ela, só possível chegar a este ponto com a implantação de políticas públicas de mão de obra feminina e participação das mulheres nas decisões de todos os níveis sociais, principalmente nas escolas. Apesar disso, segundo Mölleby a luta é constante e ainda hoje é necessário lutar, às vezes, para que mulheres ocupem cargos que na maioria das vezes é dado a pessoas do gênero masculino.

Política e crise

Sobre a crise político-econômica brasileira, o presidente da Comissão disse acreditar que é necessária uma mudança na forma de construção da política e dos partidos, envolvendo a participação da população comum, aquela que não faz parte dos grupos de ativistas políticos. Segundo ele, na Suécia existem apenas oito partidos, e dificilmente uma pessoa troca sua filiação. “Uma reforma nessa área seria vital para melhorar a política econômica do Brasil”, afirmou.

Ele ressaltou que apesar da dificuldade de contato, a relação Brasil e Suécia é melhor do que com qualquer outro país.

Ao final da reunião, o presidente da Casa, deputado Josué Neto (PSD), disse que as informações trocadas serviram de inspiração para solucionar alguns problemas locais, e serão levadas para o governo do Estado, e para a bancada de parlamentares federais do Congresso, em Brasília.

Também participaram da reunião os deputados Adjuto Afonso (Sem Partido), Cabo Maciel (PR), Augusto Ferraz (DEM), Bosco Saraiva (PSDB), José Ricardo (PT), Serafim Corrêa (PSB), Wanderley Dallas (PMDB) e Bi Garcia (PSDB).

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