20/05/2016 17h43 - Atualizado em 20/05/2016 17h43

Crise derruba produção e vendas da ZFM no primeiro trimestre deste ano

De acordo com dados da Suframa, a receita em dólar teve um recuo 37% em relação ao mesmo período de 2015.
Foto: CMM
Foto: CMM

A crise derrubou venda, a produção e o emprego das indústrias da Zona Franca de Manaus. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento das fábricas recuou em dólar 37% em relação a igual período do ano passado. Entre janeiro e março, as vendas somaram US$ 4,4 bilhões, segundo estatísticas da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O emprego industrial acompanhou a queda nas vendas e diminuiu quase 20%. Em março, havia 83,2 mil trabalhadores empregados nas indústrias do polo, ante 104,7 mil em dezembro do ano passado. “Voltamos para o nível de emprego do início dos anos 2000”, afirma o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, ressaltando que as fábricas trabalham hoje com uma ociosidade média entre 50% e 60% da sua capacidade de produção.

Périco diz que os empresários do polo industrial não esperavam uma retração tão forte, apesar das dificuldades existentes no cenário político que se refletiram sobre a economia. “Hoje existem 11 milhões de desempregados no País que reduziram o consumo. Além disso, quem está empregado tem medo de comprar por causa da insegurança no trabalho”, argumenta. Praticamente a totalidade da produção do polo industrial é voltado para o mercado interno.

Televisores. Entre os setores mais afetados neste início de ano na produção industrial de Manaus, Périco aponta o eletroeletrônico, que reúne a fabricação de aparelhos da linha marrom, cujo carro chefe é a TV. As vendas de aparelhos eletroeletrônicos em dólar caíram 44% no primeiro trimestre na comparação anual, depois de terem encerrado 2015 com um recuo de 41,9% em moeda forte. “Ninguém quer trocar a TV agora e o segmento de tablet e smartphone também está sofrendo”, diz Périco.
Dados da consultoria GFK mostram que as vendas de TVs de tela fina ao consumidor fecharam o primeiro trimestre com queda de 28% em número de unidades e de 5,8% em faturamento em reais e na comparação com igual período de 2015. Juntos os segmentos de eletroeletrônicos e itens de informática respondem por quase a metade do faturamento do polo industrial de Manaus.

A queda de vendas afetou de forma generalizada os setores no primeiro trimestre. As vendas dos fabricantes de motocicletas recuaram 44% em dólar no primeiro trimestre, numa sequência de cinco anos de retração consecutiva. As indústrias de produtos termoplásticos e químicos também amargaram quedas de faturamento em dólar de 30,5% e 24% no primeiro trimestre na comparação anual.
“Este ano já foi”, diz o presidente do Cieam. Ele acredita que o encolhimento da produção e das vendas deve continuar neste trimestre e mesmo que ocorra alguma reação no último trimestre de 2016 ela será insuficiente para virar o jogo do desempenho anual. Para 2016, o executivo prevê queda de 25% do faturamento em dólar das indústrias do polo de Manaus.

Estadão

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