16/05/2016 07h03 - Atualizado em 17/05/2016 07h28

Delatores contam que Eduardo Braga ameaçava quando propina atrasava

Delação de ex-executivos da Andrade Gutierrez revela relação antiga da empreiteira com ex-governadores do AM.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Jornal Nacional teve acesso, com exclusividade, a novos trechos dos depoimentos que dois ex-executivos da Andrade Gutierrez deram a procuradores da Operação Lava Jato. Nessas delações, eles revelaram o pagamento de propina a quatro ex-governadores. Eduardo Braga, do PMDB, e Omar Aziz, do PSD, hoje senadores pelo Amazonas. E os ex-governadores do Distrito Federal: Agnello Queiroz, do PT e José Roberto Arruda, que, na época, era do Democratas.

Os ex-executivos da Andrade Gutierrez contaram aos procuradores como foi fácil ganhar a concorrência da Arena Amazônia.

Eles disseram que tiveram informação privilegiada do governo. E que a construtora ainda participou da elaboração do projeto e do edital de licitação.

Segundo os ex-executivos, a Andrade Gutierrez tinha preferência pela obra desse estádio porque estava no Amazonas havia muitos anos.

Pelo que está na delação, a relação com então governador Eduardo Braga, do PMDB, também era antiga. Os ex-executivos revelaram aos procuradores que havia uma combinação com Eduardo Braga que valeu durante os oito anos do governo dele: propina de 10% sobre o valor de cada obra da empreiteira.

Só as obras de urbanização na área de Igarapés – uma região ribeirinha na periferia de Manaus – tiveram contratos de aproximadamente R$ 400 milhões. Parte da verba era do estado, a outra vinha do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Hoje Eduardo Braga é senador. Ele foi Ministro de Minas e Energia do governo Dilma até o mês passado.

O ex-executivo da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, disse que o acordo com o então governador nasceu do interesse da Andrade Gutierrez em receber precatórios – ordens judiciais de pagamento – contra o estado.

Rogério estima que foram pagos de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões a Eduardo Braga. Na outra delação, Clóvis Primo contou que o ex-governador fazia ameaças se houvesse atraso no pagamento da propina. Disse “que ele era jogo duro”.
Os delatores afirmaram que os pagamentos de propina continuaram com o sucessor de Eduardo Braga no governo do Amazonas.

Durante a licitação do estádio, Clóvis Primo disse ter se encontrado num hotel em Brasília com o novo governador, Omar Aziz, na época no PMN, Partido da Mobilização Nacional. Que, depois, foi para o Partido Social Democrata – PSD. Hoje ele é senador.

Clóvis Primo relatou que tentou negociar uma redução da propina paga pela obra do estádio. O delator disse que o novo governador não aceitou, fez um grande teatro, se exaltou, dizendo que tinha compromissos, mas que, depois, aceitou a redução da propina. Em vez dos 10% que eram pagos a Eduardo Braga, ficou com 5%.

Numa outra reunião, em São Paulo, segundo o ex-executivo Rogério de Sá, Omar Aziz pediu propina no valor de R$ 20 milhões, alegando que a empresa tinha um grande volume de obras no estado e que o dinheiro pagaria despesas de campanha.

Ao ouvir que não era possível, Rogério Nora de Sá disse que Omar Aziz insistiu de modo agressivo, e subindo o tom afirmou que se a propina não fosse paga o governo do Amazonas poderia se vingar da Andrade Gutierrez.

Omar Aziz, pelo que está na delação, chegou a sugerir que a construtora executasse algum serviço de medição de terraplanagem e embutisse o valor.

Rogerio de Sá disse que a Andrade Gutierrez pagou cerca de R$ 18 milhões a Omar Aziz. E que os pagamentos foram pelo menos até setembro de 2011.

O senador Eduardo Braga disse que a denúncia é absurda, que está indignado, e se sentindo ofendido com as acusações.

O senador Omar Aziz declarou que seguiu rigorosamente o valor da construção da Arena Amazônia determinada pelo Tribunal de Contas da União. E que está sendo vítima de retaliação da Andrade Gutierrez por não ter cedido a pressões da empresa para aumentar o preço da obra.

A Andrade Gutierrez não quis se manifestar.

Fonte: G1

*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.

Ultimas notícias

Contato Termos de uso Wp: (92) 99344-0505