07/05/2016 20h31 - Atualizado em 8/05/2016 06h36

Marcelo Odebrecht afirma à Lava Jato que Dilma atuou para soltá-lo da prisão, diz jornal

Odebrecht também informou que o ex-ministro Guido Mantega extorquiu empresários por meio do BNDES.
Foto: REUTERS/Rodolfo Burher
Foto: REUTERS/Rodolfo Burher

SÃO PAULO – Em negociação para delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht afirmou a procuradores da Operação Lava Jato que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Luciano Coutinho cobraram doações de empresários que tinham financiamentos do banco para a campanha de Dilma Rousseff em 2014. As informações são do jornal O Globo, que cita matéria da Folha de S. Paulo que será publicada neste domingo.

Segundo a reportagem, Mantega e Coutinho teriam pedido a empreiteiros que se reunissem com o então tesoureiro da campanha Edinho Silva, atual ministro do governo Dilma para que “continuassem a ser ajudados” pelo governo. Coutinho teria perguntado a um ex-executivo de uma empreiteira, em agosto de 2014, se ele conhecia Edinho, o que foi entendido como uma forma de pressão e a empresa fechou acordo para doação à campanha nas semanas seguintes. Coutinho, Mantega, Edinho Silva e o PT negam as acusações de Odebrecht.

Marcelo Odebrecht informou também que a presidente Dilma Rousseff tentou garantir sua liberdade após ele ser preso em junho de 2015. A nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) fazia parte da ofensiva contra as prisões de empreiteiros. O intuito da nomeação havia sido revelado pelo senador Delcídio do Amaral (sem partido – MS) em delação, e com base nessa acusação, a Procuradoria Geral da República pediu abertura de investigação contra Dilma ao STF (Supremo Tribunal Federal). Dilma declarou, na quinta, que as acusações de Delcídio são “levianas e mentirosas”.

Segundo o jornal, os procuradores aguardam explicações sobre o esquema de financiamento de projetos no exterior para fechar o acordo de delação premiada e esperam informações sobre a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em negócios de empreiteiras na América Latina e na África.

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