19/05/2016 09h32 - Atualizado em 20/05/2016 08h21

‘Não tenho contas no exterior, apenas expectativa de direito’, diz Cunha

Deputado se defende nesta quinta-feira, no Conselho de Ética da Câmara.
Foto: Reprodução
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O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), faz nesta quinta-feira a sua própria defesa no Conselho de Ética da Casa. Durante seu depoimento que durou 13 minutos, Cunha afirmou que não tem “nenhum interesse” na postergação do processo, mas na celeridade dele, e ressaltou que não detém conta no exterior, nem patrimônio que esteja “sob sua propriedade”. O peemedebista ressaltou que pedirá a impugnação do relator Marcos Rogério (DEM-RO). A representação contra o peemedebista o acusa de mentir na CPI da Petrobras ao negar que tinha contas no exterior.

Sobre as contas no exterior afirmou:

– Não há elementos de prova que seja titular, dono da conta, que possa movimentar a conta. Não escondi nada. O que efetivamente existe é um trust, ao qual o patrimônio não me pertence, não fui autorizado a movientar a conta, não tenho titularidade…Não possuo investimentos não declarados. O que possuo é ser beneficiário de um trust, com expectativa de direito – disse Cunha, que continuou:

– Se o objetivo fosse esconder patrimônio ou recurso certamente, pelo conhecimento técnico que disponho, teria constituído uma fundação, onde posso esconder patrimônio, beneficiário. O trust identifica adminsitração quem é o responsável – afirmou Cunha.

Defesa de Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara – André Coelho / Agência O Globo
Cunha anunciou que pedirá a impugnação do relator de seu processo, o deputado Marcos Rogério. Cunha argumentou que ele, que trocou o PDT pelo DEM, não pode relatar por pertencer a um partido que compõe o bloco do PMDB. O Argumento do peemedebista é que, por serem do mesmo bloco, Rogério estaria impedido de relatar. Cunha voltou a negar que tenha conta no exterior, e sim um trust, sobre o qual não movimenta e nem é o titular.

– De pronto, anuncio que vou pedir a impugnação do relator, com todo respeito ao deputado Marcos Rogério. Desde o momento que ele se filiou ao DEM, partido do bloco do partido ao qual pertenço, a nulidade será contestada – disse Cunha.

MUDANÇAS NO CONSELHO
É a primeira vez que Cunha retorna à Câmara desde que foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos três dias ocorreram várias alterações na composição do conselho. Os deputados Cacá Leão (PP-BA) e Ricardo Barros (PP-PR) deixaram o colegiado. Leão renunciou à sua vaga Barros assumiu o Ministério da Saúde. Nos lugares dos dois o partido indicou um aliado de Cunha – André Fufuca (PP-MA -, que o acompanha até em jogo de futebol, e um denunciado na Lava-Jato – Nelson Meurer (PP-PR). Essas mudanças não devem alterar a composição de forças no conselho. Os dois que saíram votaram a favor de Cunha – contra a abertura do processo contra o presidente afastado – e os que os substituem seguem a mesma linha. Na noite de ontem, quarta, outra baixa no conselho. Erivelton Santana (PEN-BA) renunciou a titularidade do conselho. O partido, até o momento, não indicou seu substituto. Erivelton votou a favor de Cunha.

Com o depoimento de Cunha, se encerra a fase de instrução do processo, ou seja, a parte de ouvir depoimentos e levantar de provas. A partir daí, o relator terá até dez dias úteis para apresentar seu parecer. Com o provável pedido de vista dos deputados, a tramitação será suspensa por dois dias úteis. Depois, acontece a votação. Cunha pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Somente depois o caso segue para votação no plenário.

Antes de ser iniciada a defesa, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que a sessão será tumultuada. Ele afirmou que, como será o primeiro encontro de Cunha com que votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff, o clima vai esquentar.

– Será um novo festival de baixaria e ódio, como se deu na votação do impeachment. Agora com muito mais ódio, já que será o primeiro confronto entre os dois lados. Vamos manter a serenidade e reagir se tiver que reagir – disse Marun, um defensor ferrenho de Cunha no conselho.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) acredita que Cunha vai ser alvo de duros questionamentos e acredita que não se repetirá o volume de elogios ocorridos na sessão de março do ano passado, quando parlamentares até do PT, também do PSDB, elogiaram o peemedebista.

– Há que ter parlamentares nesse conselho que desnudem esse festival de cinismo que é a defesa de Cunha. Ele sofrerá alguns questionamentos, mas não se repetirá aquela sessão do ano passado, que foi só de loas ao então presidente da Câmara – disse Alencar.

Fonte: O Globo

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