24/05/2016 14h47 - Atualizado em 25/05/2016 07h35

Por terminal no Amazonas, terceiro alvo da Repescagem teria pago propina na Petrobrás

O representante da Distribuidora Equador, Humberto Amaral Carrilho, teve prisão decretada.

O ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu, preso nesta segunda-feira, 23, alvo da 29ª fase da Operação Lava Jato, atuou na intermediação de um contrato com a Petrobrás para construção de um terminal de derivados de petróleo no Rio Amazonas, em Itacoatiara (AM), em que foi pago propina para o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa no esquema do partido de corrupção na estatal. O representante da Distribuidora Equador Humberto Amaral Carrilho teve prisão decretada, junto com Genu e seu sócio Lucas Amorin Alves.

Em depoimento à Lava Jato, dentro do seu acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa afirmou que a Humberto Carrilho foi o contato com a Distribuidora Equador nesse negócio. “Por volta de 2008 ou 2009, o proprietário da empresa, Humberto Amaral, procurou o declarante com um projeto para construção de um Terminal de Derivas no Rio Amazonas em Itacoatiara”, registra a Polícia Federal.

A Petrobrás deixava um navio chamado “tancagem flutuante” parado no rio para fazer os serviços que a empresa se propôs com o terminal, contou Costa. “Por isto a Distribuidora Equador construiu um terminal e foi contratada pela Petrobras, sem licitação, pois se tratava de exclusividade.”

O delator diz que recebeu valores de Carrilho por esse contrato e que eles foram pagos mediante contratos simulados feitos com sua empresa de consultoria, a Costa Global. O empresário alvo da Operação Repescagem fez os contratos por meio das empresas Distribuidora Equador, Equador Log e Dislub Equador/Venbras Marítima. Costa guardava o nome de Carrilho na agenda apreendida em 2014 pela polícia.

Com base nas revelações de Costa e descobertas do papel de Genu como braço-direito do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010 e origem da Lava Jato, a força-tarefa identificou nas trocas de mensagens arquivadas no celular do ex-tesoureiro a ligação dele com o negócio da Distribuidora Equador.

“Há evidências fortes da atuação ilícita de João Cláudio Genu junto a agentes públicos da Petrobrás. Mais ainda, a menção a invoices indica que Genu mantém contas ocultas no exterior que ainda não são de conhecimento da investigação”, informa a Procuradoria da República, no pedido de prisão entregue ao juiz federal Sérgio Moro – titular da Lava Jato, em Curitiba.

Na sequência das conversas entre Genu e Carrilho, entre maio e novembro de 2012, o ex-assessor do PP preso pela Repescagem parece “atuar como um preposto de Paulo Roberto Costa na intermediação de negócios escusos junto a agentes públicos da Petrobrás para favorecer Humberto Carrilho, contando para isso com o auxílio de Lucas Amorin Alves”.

Das três prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro na Operação Repescagem, só a de Carrilho não foi cumprida. A defesa do alvo informou o juiz e a polícia que ele está fora do País, mas já providenciou seu retorno para se entregar.

“Conforme comunicado por familiares à autoridade policial no momento das diligências, o requerente (Carrilho) se encontra em viagem profissional ao exterior, entre os dias 21 e 30 de maio do corrente ano. Da leitura dos bilhetes, extrai-se que foram emitidos antes da deflagração da operação, sem que houvesse nenhuma restrição judicial à saída do Requerente do país”, informam os advogados Ademar Rigueira Neto e Francisco de Assis Leitão.

Foto: Reprodução

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