04/06/2016 15h57 - Atualizado em 4/06/2016 15h59

Braga é indicado relator do projeto que orienta uso dos recursos federais em 2017

Mesmo citado na Lava Jato, senador foi indicado pelo o PMDB para relatar LDO que tramita na CMO do Senado.
Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (07/05/2014)
Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (07/05/2014)

Com uma série de denúncias envolvendo desvio de verbas públicas, e mesmo após ser ministro de Minas e Energia, o senador Eduardo Braga (PMDB) foi indicado pelo seu partido, o PMDB, nesta sexta-feira (03), para relatar o Projeto de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 2017 do Governo Federal, que orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que detalha onde serão aplicados os recursos federais em 2017. A PLDO está tramitando na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Senado.

A informação sobre a indicação de Braga foi publicada na página do Facebook do Parlamentar. O texto diz que a indicação é para a relatoria da LOA, mas a proposta só tramitará no Congresso a partir de outubro. A reportagem tentou contato com a assessoria do parlamentar para esclarecer os dados, sem sucesso.

Braga retomou as atividades parlamentares no último dia 22 de maio, após comandar por 15 meses o Ministério de Minas e Energia durante o governo de Dilma Rousseff (PT), ainda afastada e respondendo ao processo de impeachment. Isso significa que se sua indicação for acatada, Braga irá relatar as contas de um governo que ele mesmo fez parte. O senador foi um dos últimos ministros do PMDB a deixar o cargo, mesmo depois que seu partido desembargou da base de Dilma.

O parlamentar ainda teve o nome citado na delação premiada de ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez investigados na Operação Lava Jato, apontado como um dos que receberam propina em obras realizadas pela construtora no Amazonas, como a Arena da Amazônia. Na delação, os ex-executivos Clóvis Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá sugeriram que Braga recebeu 10% do valor da obra da Arena em propina. A Arena foi licitada por R$ 499,5 milhões, mas foi concluída ao custo de R$ 757,5 milhões, após aditivos.

Outras empresas responsáveis por grandes obras no Amazonas, na gestão de Eduardo Braga quando governador do Estado, também são alvos de investigação da Lava Jato. Entre elas a Camargo Corrêa, responsável pela construção da Ponte sobre o Rio Negro e que custou R$ 1,099 bilhão aos cofres do Estado.

O gasoduto Coari-Manaus, cuja construção foi iniciada em 2006 na gestão de Braga, também está sendo investigado na Operação Lavo Jato. Planilha que detalha os percentuais desviados de cada obra da Petrobras mostram que empresas responsáveis pela construção do gasoduto Coari–Manaus pagaram R$ 6,6 milhões em propina para partidos e funcionários da estatal. A obra foi orçada inicialmente em R$ 2,4 bilhões. Após aditivos, o custo total da obra fechou em R$ 4,5 bilhões.

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