03/06/2016 16h01 - Atualizado em 3/06/2016 16h01

Ex-diretor diz que Petrobras beneficiou filho de FHC

Em delação premiada, Nestor Cerveró afirmou que a cúpula da Petrobras o orientou a fechar contrato com uma empresa ligada ao filho do então presidente.
Foto: Reprodução
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O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dos depoimentos de acordos de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Nos depoimentos, Cerveró disse que, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, a presidência da Petrobras o orientou a fechar contrato com a PRS Participações, empresa ligada ao filho de FHC, Paulo Henrique Cardoso.

Segundo ele, o caso ocorreu entre os anos de 1999 e 2000, quando era subordinado ao ex-senador Delcídio do Amaral na diretoria de Gás e Energia da Petrobras. Na época, a presidência da estatal era exercida pelo economista Henri Philippe Reichstul.

Cerveró disse que na época foi procurado pelo lobista Fernando Soares, o Baiano, que representava a empresa espanhola Union Fenosa, interessada em se associar à Petrobras na termelétrica do Rio de Janeiro (Termorio): “Fernando Antônio Falcão Soares e os dirigentes da Union Fenosa acreditavam que o negócio estava acertado, faltando apenas a assinatura para a finalização”. Ele soube, contudo, que “o negócio já estava fechado com uma empresa vinculada ao filho do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, de nome Paulo Henrique Cardoso”, afirmou o ex-diretor em sua delação.

Cerveró relatou ainda que “o negócio havia sido fechado pelo próprio declarante, por orientação do então presidente da Petrobras, Philippe Reichstul”. Tudo isso deixou Fernando Baiano e os empresários da Union Fenosa “surpresos e bastante contrariados”. Segundo o ex-diretor da estatal, “Delcídio do Amaral ficou contrariado com o fato de o fechamento do negócio ter sido determinado pela presidência da Petrobras sem o conhecimento da diretoria de Gás e Energia”. O ex-diretor disse que na época recebeu propina de de US$ 300 mil da empresa responsável pela Termorio.

Em nota à imprensa, o Instituto FHC informou que não conseguiu contato com o ex-presidente, que está em viagem ao exterior. O empresário Paulo Henrique Cardoso disse ao jornal Folha de S.Paulo que não tem relação com os fatos descritos.

Por meio de nota publicada em sua rede social, o ex-presidente disse que seu filho, Paulo Henrique Cardoso, nunca teve ligação com a estatal.

“Notícias veiculadas pela mídia a propósito de delação do senhor Nestor Cerveró sobre o governo FHC não têm qualquer fundamento. Paulo Henrique Cardoso nunca foi ligado à empresa PRS, nunca ouviu falar dela, nem, portanto, teve qualquer relação comercial com a referida empresa, nem, muito menos, teve algo a ver com as compras de Petrobras. De igual modo, Fernando Henrique Cardozo jamais interferiu ou orientou aquisições pela Petrobras durante os dois mandatos que exerceu com presidente da República. Esclarecimentos mais detalhados podem ser prestados pelos técnicos que dirigiram a empresa no período mencionado”, diz a nota.

No mês passado, o ministro Teori Zavascki decidiu arquivar citações contra a presidenta Dilma Rousseff sobre a refinaria de Pasadena, feitas por Delcídio do Amaral, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Fonte: Brasileiros.com

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