30/06/2016 17h26 - Atualizado em 30/06/2016 17h26

Machado revela caixa 2 de R$ 1 mi para Aécio disputar presidência da Câmara e propinas para PSDB

Ex-presidente da Transpetro, diz que planejou com o hoje presidente tucano um esquema para financiar 50 deputados.
Foto: Marcos Fernandes/Divulgação/PSDB
Foto: Marcos Fernandes/Divulgação/PSDB

Em sua delação premiada, o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado revelou a existência de um grande esquema de corrupção quando ele ainda era líder do PSDB no Senado, em 1998, para eleger o hoje presidente da sigla Aécio Neves à presidência da Câmara em 2000 e estruturar uma ampla base de apoio para o governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso. O próprio Aécio, de acordo com Machado, teria recebido na época R$ 1 milhão em dinheiro vivo.

Segundo o delator, ele, o então senador Teotônio Vilela e o então deputado Aécio traçaram um plano em 1998 para “ajudar financeiramente” 50 deputados a se elegerem naquele ano para garantir o apoio à eleição de Aécio para a presidência da Câmara, em 2000. O dinheiro teria sido captado por meio de propinas de empresas e de recursos ilícitos da campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição

“Que decidiram (os três no encontro) que iriam dar entre R$ lOO mil reais e R$ 300 mil reais à cada candidato”, relata Machado, que diz ter recebido propinas de empresas doadoras de campanhas tucanas, e também ter procurado o então ministro das Comunicações e coordenador da campanha de FHC Luis Carlos Mendonça de Barros para captar recursos ilícitos.

“Que eles (campanha de FHC) nos garantiram que parte desses recursos ilicitos, à época cerca de R$4 milhões de reais, viriam da campanha nacional através do então ministro das Comunicações Luis Carlos Mendonça de Barros”, afirma Machado, segundo o qual parte do dinheiro ilícito vinha “do exterior”, sem dar mais detalhes de como era operacionalizado e qual a origem dele.

“Que esses recursos ilicitos nos foram entregues em várias parcelas em espécie, por pessoas indicadas por ele (Luis Carlos Mendonça de Barros). que a maior parcela dos cerca de R$7 milhões arrecadados à época, foi destinada ao então deputado federal Aécio Neves, que recebeu R$1 milhão em dinheiro”.

Machado diz que o tucano recebia estes recursos de um amigo de Brasília “que o ajudava nessa logística” e afirmou apenas que a pessoa era um jovem moreno que “andava sempre com roupas casuais e uma mochila”.

Além do esquema montado por Mendonça Barros, Machado citou também o caixa dois da Camargo Corrêa para campanhas tucanas no período e admitiu que chegou a receber na época R$ 350 mil em dinheiro vivo da empreiteira. Todo o esforço do esquema ilícito, que também teria financiado as campanhas municipais do PSDB em 2000, segundo o delator, permitiu ao PSDB eleger a segunda maior bancada da Câmara.

“Que a partir dessa articulação e captações feitas em 1998 e 2000 na eleição para prefeito, o PSDB conseguiu eleger 99 deputados”, segue Machado. Segundo ele, porém, o então presidente Fernando Henrique Cardoso era contra a articulação para que Aécio se elegesse presidente da Câmara, pois temia na época um racha de sua base.

Apesar disso, Aécio acabou sendo eleito presidente da Casa.

Fonte: Estadão

*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.

Ultimas notícias

Contato Termos de uso Wp: (92) 99344-0505