01/06/2016 10h50 - Atualizado em 1/06/2016 10h50

PIB encolhe 0,3% no 1º trimestre, e país completa 2 anos em recessão

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve queda de 1,7% no primeiro trimestre.
Foto: Reprodução
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Depois de encerrar 2015 na maior recessão dos últimos 25 anos, a economia brasileira encolheu menos do que o previsto no primeiro trimestre deste ano —o último ainda integralmente sob comando do governo Dilma Rousseff, afastada em 12 de maio.

O PIB (Produto Interno Bruto), medida da renda de bens e serviços produzidos no país, teve queda de 0,3% nos três primeiros meses de 2016 frente ao quarto trimestre do ano passado. Com isso, somou R$ 1,47 trilhão.

O resultado veio melhor que o esperado pelo mercado. Economistas consultados pela agência internacional Bloomberg esperavam uma retração de 0,8% da atividade econômica frente ao quarto trimestre.

Conforme os dados divulgados na manhã desta quarta-feira (1º) pelo IBGE, a intensidade da queda foi também menor do que a verificada no fim do ano passado, quando a economia havia registrado uma retração de 1,3% (dado foi revisado de uma queda de 1,4% ).

Pelos critérios da FGV (Fundação Getulio Vargas), o ciclo de contração da atividade econômica, iniciado no segundo trimestre de 2014, ainda no primeiro mandato de Dilma, completou agora dois anos (oito trimestres).

A recessão começou no segundo trimestre de 2014, com queda de 1,2%. No terceiro e quarto trimestre de 2014, o PIB ficou estagnado (0% e 0,2%, respectivamente). Depois, caiu por cinco trimestres seguidos.

Isso significa que o país continua empobrecendo, ainda que menos do que o previsto no trimestre. Os empresários cortaram investimentos, as famílias consumiram menos. São consequência de erros na condução da economia que geraram desemprego, inflação e incertezas.

Segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a queda do PIB frente ao mesmo período do ano passado estava se intensificando nos últimos trimestres. Desta vez, esse movimento foi menor.

“A taxa continuou na casa dos 5%, mas foi um pouco menor. No primeiro trimestre, foi de 5,4%, menor que os 5,9% do quarto trimestre. Com isso, a queda na série com ajuste trimestral [frente ao trimestre imediatamente anterior ficou menor no primeiro trimestre de 2016”, disse.

DEMANDA
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve queda de 1,7% no primeiro trimestre, frente aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo foi mais intenso, de 6,3%.

O consumo das famílias cai em meio ao aumento da inflação, a queda da renda e o crédito mais seletivo por parte dos bancos. A taxa de desemprego nacional foi de 10,9% no primeiro trimestre de 2016.

Outro importante componente da demanda do país, os investimentos registraram retração de 2,7% no primeiro trimestre frente aos três meses anteriores. Essa queda foi de 17,5% na comparação em base anual.

Uma exceção pela ótica da oferta veio dos gastos do governo (esferas municipais, estaduais e federal). Houve crescimento de 1,1% ante o quarto trimestre do ano passado e queda de 1,4% na comparação com igual período de 2015.

OFERTA
Sem estímulos pelo lado da demanda, o PIB da indústria e dos serviços voltaram a encolher. O PIB industrial recuou 1,2% frente ao fim do ano passado. Essa queda foi ainda maior quando comparada ao primeiro trimestre do ano passado (-7,3%).

O PIB de serviços (abrangente grupo que inclui atividades como comércio, seguros, transporte e educação) teve uma baixa de 0,2% frente ao quarto trimestre de 2015. Foi a quinta baixa consecutiva, inédito na série da pesquisa, de 1996.

A agropecuária, por sua vez, surpreendeu negativamente ao ter uma leve queda de 0,3% frente ao trimestre anterior e de 3,7% ano o mesmo período do ano passado.

REVISÕES
O IBGE divulgou nesta quarta-feira a revisão do resultado do PIB de trimestres anteriores. A maior mudança ocorreu no resultado do PIB do primeiro trimestre do ano passado. A queda passou de 0,8% para 1,2%. Ou seja, foi mais intensa.

Outros revisões foram feitas nos resultados dos três trimestres posteriores: o segundo trimestre (-2,1% para -2%), o terceiro trimestre (-1,7% para -1,6%) e o quarto trimestre de 2015 (de -1,4% para -1,3%), segundo divulgou o IBGE.

FUTURO
A retomada do crescimento econômico segue incerta. Economistas começam a perceber sinais de que a economia brasileira começou a caminhar para uma estabilização, citando melhora no número de emplacamentos de carros e nível de estoques.

Em relatório, o Itaú prevê uma nova queda do PIB no segundo trimestre deste ano e uma “relativa estabilidade” a partir disso. Apesar disso, o banco prevê uma retração de 4% do PIB brasileiro em 2016.

Fonte: Folha de S.Paulo

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