14/07/2016 08h49 - Atualizado em 14/07/2016 08h49

Aldeias indígenas da Amazônia receberão mutirão de atendimento médico

A previsão é realizar cerca de 300 cirurgias e mais 2 mil atendimentos especializados.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cerca de 2 mil indígenas que vivem em 123 aldeias, na Amazônia, deverão ser atendidos até o próximo sábado (16/07), durante mutirão da saúde. A ação é uma parceria da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins, e os Expedicionários da Saúde (EDS), organização não governamental que há 14 anos exerce trabalho humanitário em comunidades indígenas do Norte do Brasil. A previsão é realizar cerca de 300 cirurgias e mais 2 mil atendimentos especializados.

Para realizar os atendimentos, foi montada uma estrutura física no meio da floresta amazônica, que conta com centros cirúrgicos e espaço para a realização de exames de ultrassonografia. Também participam da iniciativa, o Ministério da Defesa, Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretarias Municipais de Saúde de Parintins, Barrerinhas e Maués, além das comunidades indígenas existentes na região, por meio de seus caciques e tuxauas.

“Além de, praticamente, zerarmos as filas por cirurgias gerais e oftalmológicas entre nossos indígenas de quase 120 aldeias da região, nossa expectativa também é de realizar mais de 2 mil atendimentos especializados nas áreas de odontologia, clínica geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia”, destacou a coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins, Paula Rodrigues.

O mutirão conta com voluntariado de equipes logísticas e de saúde e com os investimentos feitos pelo Governo Federal e outros apoiadores. “Para que este mutirão em Umirituba, por exemplo, fosse realizado, nós colocamos nossas equipes do DSEI em área desde o mês de fevereiro, para realizar as visitas aos 12 Polos Base de Saúde, conversar com caciques e lideranças, e realizar uma pré-triagem para dimensionar o quantitativo de indígenas a serem operados ou atendidos no mutirão”, explica Paula.

De acordo com ela, o suporte logístico da expedição também fica a cargo do DSEI Parintins, sobretudo no que diz respeito ao transporte, acomodação e refeição dos pacientes indígenas que são deslocados de diferentes regiões do distrito para o Polo Base onde ocorre a expedição.

“Isso demanda, por exemplo, além de profissionais em área e muito combustível, aluguel de barcos grandes com capacidade para transportar até 150 pessoas. Nesta expedição, vamos disponibilizar toda estrutura de barcos e lanchas do DSEI e alugar quatro destes barcos para trazer pacientes de diferentes regiões, como a de Maués”, disse Paula Rodrigues.

A montagem da infraestrutura também demandou integração entre profissionais que atuam na logística, saneamento e atenção do DSEI, além dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Saneamento (AISAN). Foram eles os responsáveis por garantir as adequações necessárias na escola que recebe o mutirão, a exemplo da construção de barracão para o centro cirúrgico, alojamentos para pacientes e voluntários, banheiros e passarelas para o transporte de pacientes entre uma área e outra. O Exército Brasileiro, por meio do Pelotão de Fronteira da região, atua no transporte fluvial de insumos para operação.

AÇÃO HUMANITÁRIA – Em 35 edições, desde 2004, as equipes dos Expedicionários da Saúde – EDS já realizaram mais de seis mil cirurgias e mais de 35 mil atendimentos especializados. A área coberta pelas ações dos voluntários é equivalente ao território da França, sendo a grande maioria de terras indígenas demarcadas.

Nesta edição que acontece em Parintins, a expedição realizou a entrega de óculos de grau após as consultas oftalmológicas. Até o fim da expedição, cerca de 1000 indígenas serão contemplados com a entrega de óculos, que ajudarão a melhorar a qualidade de vida de quem vive na floresta.

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