06/07/2016 15h21 - Atualizado em 7/07/2016 07h29

Ex-marido diz que, apesar de otimista, Dilma já pensa em como seria o recomeço no RS

Carlos Araújo é cético sobre as chances de a presidente afastada retornar ao Palácio do Planalto e vê reversão do impeachment como ‘improvável’.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O advogado trabalhista Carlos Araújo é cético sobre as chances de a ex-mulher, a presidente da República afastada, Dilma Rousseff, recuperar seu mandato. O gaúcho acredita que reverter o impeachment no Senado é “improvável”. Já a própria Dilma, ele garante, é otimista. Está “mais forte do que nunca” e nutre a expectativa de voltar ao Palácio do Planalto. Mas, embora tenha esperança de seguir em Brasília, a petista já pensa em como seria o recomeço em Porto Alegre.

Para Araújo, por trás do processo de impeachment, mais do que tudo, está uma tentativa de evitar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorne à Presidência em 2018, e uma das formas para isso é tirar o “time dele” do poder. “Atacar o Lula passa por atacar a Dilma”, resumiu. E acrescentou que o apoio do ex-presidente a Dilma no processo de impeachment foi ‘incriticável’ e ‘excelente’.

Aos 78 anos, o advogado convive com um enfisema pulmonar que, como ele mesmo diz, tem altos e baixos. “Se eu me cuido, vou bem. Se exagero, é um problema”, resume. No momento, a fase é boa. Araújo, que foi três vezes deputado estadual pelo PDT no Rio Grande do Sul, recebeu a reportagem em sua casa. A residência aconchegante, às margens do Lago Guaíba, na zona sul da cidade, é a mesma onde morou com Dilma enquanto foram casados. Hoje, continua sendo o ponto de encontro da família.

Os almoços aos sábados e domingos costumam reunir a filha deles, Paula, além do marido dela e dos dois filhos, Gabriel, de 5 anos, e Guilherme, nascido no início de 2016. A presença da presidente afastada é cada vez mais frequente. Ela visitou a capital gaúcha nos últimos três fins de semana. De acordo com Araújo, é junto da família que Dilma se sente “mais abrigada”. A vida em Brasília, diz ele, é solitária. A seguir, confira os principais trechos da entrevista:

Como está Dilma frente à possibilidade do afastamento?
Está bem. A Dilma é uma mulher que cresce no confronto. Ela cresce muito. Fazia tempo que eu não a via tão bem. Ela não dá muita entrevista, agora tem dado quase diariamente. Isso é porque ela está no confronto. É uma exigência que o confronto impõe.

O que mudou com a proximidade da votação do impeachment no Senado?
Ela está nessa perspectiva, não sabe se fica em Brasília ou não. Ela tem que tomar algumas providências porque agosto está aí. E a possibilidade maior é de que ela saia. Não é impossível que permaneça, mas acho que é improvável. De certa forma, ela tem que ir vendo como vai morar por aqui. Coisas do cotidiano. Se não permanecer em Brasília, pelo menos já está mais encaminhado. Repito, ela acha que vai ficar no Alvorada, que vai reverter a situação, mas isso não exclui que comece a pensar nos dias posteriores. A mãe dela é uma pessoa doente. Se ela tiver que deixar o Alvorada amanhã, onde vai colocar a mãe? Tem que criar uma estrutura para isso. Independente do dia que sair, agora ou depois, o caminho natural dela é Porto Alegre.

Como o senhor avalia o processo de impeachment em curso?
Minha avaliação é de que se o Lula morresse hoje terminava tudo, não teria impeachment nem nada. Tudo isso que está havendo é por causa de 2018, é todo mundo pensando em como derrotar o Lula. E uma das questões é o time dele não estar no poder. Atacar o Lula passa por atacar a Dilma. A ideia é que, se vão disputar com ele em 2018, melhor que seja sem ele ter poder, sem a Dilma estar no poder. Preferível que esteja um Temer da vida no poder.

O senhor se considera um conselheiro político da presidente?
Não, isso é uma invenção. Na realidade nós conversamos muito pouco sobre política. Quando ela está aqui quer ficar com a família, com os netos. Ninguém é conselheiro a longa distância. Conselheiro só pode ser quem está ali no dia a dia, vivendo aquela situação. Eu não dou conselho nenhum para a Dilma. Sou uma amigo dela, e não me meto em nada no governo dela. Seria um absurdo da minha parte.

Acredita que Dilma está sendo condenada pela opinião popular por erros que cometeu no segundo mandato?
Acho que sim, pela crise (econômica) que atingiu. Agora (a economia) está saindo do fundo do poço, e isso veio da preparação que foi feita anteriormente. Quem vai levar os louros pode ser o Temer, ironicamente. Acho que hoje cresceu a solidariedade à Dilma. Mas isso não é significativo no momento. As coisas se decidem no Parlamento.

Fonte: Estadão

*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.

Ultimas notícias

Contato Termos de uso Wp: (92) 99344-0505