12/07/2016 14h15 - Atualizado em 12/07/2016 14h17

Mulher de Cunha chama relator do impeachment e ministros de Temer como suas testemunhas

Cláudia Cruz é acusada de lavagem de US$ 1 milhão e evasão de divisas.
Foto: Reprodução
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A mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) convocou o deputado Jovair Arantes (PTB/GO), relator do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), como sua testemunha de defesa em ação penal da Operação Lava Jato. O parlamentar e dois ministros do governo Michel Temer – Bruno Araújo (Cidades – PSDB/PE) e Maurício Quintella (Transportes – PR/AL) – fazem parte do rol de 26 testemunhas arroladas pela defesa de Cláudia Cruz.

A DEFESA DE CLÁUDIA CRUZ
O criminalista Pierpaolo Bottini defende Cláudia que, desde 9 de junho, é ré do juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Operação Lava Jato. A mulher de Eduardo Cunha responde a processo por lavagem de dinheiro de mais de US$ 1 milhão provenientes de crimes atribuídos ao deputado afastado. Ela também é acusada de evasão de divisas. As testemunhas foram indicadas na peça de defesa entregue ao juiz Moro.

Segundo a denúncia da força-tarefa da Lava Jato, Cláudia teria se favorecido de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que o marido teria recebido para ‘viabilizar’ a aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011. Os recursos que aportaram na conta de Cláudia foram utilizados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com cartões de crédito no exterior – a investigação mostra que ela adquiriu sapatos, bolsas e roupas de grife com recursos de origem ilícita, segundo a Procuradoria da República.

Também foram convocados pela defesa aliados de Eduardo Cunha na Câmara: os deputados Carlos Marun (PMDB/RJ), que lutou no Conselho de Ética para que o parecer favorável a cassação do ex-presidente da Casa fosse reprovado, Hugo Motta (PMDB/PB), Felipe Maia (PMDB/RN), Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Átila Lins (PSD-AM).

O documento de 139 páginas, subscrito por Pierpaolo Bottini e também pelas advogadas Cláudia Vara San Juan Araújo e Stephanie Guimarães, divide o rol de testemunhas em quatro blocos. A defesa aponta que os políticos poderão prestar depoimento sobre o tópico ‘lavagem de dinheiro decorrente da transferência de recursos de suposta origem criminosa entre o trust Netherton (da qual seu marido é beneficiário) e a conta Kopek (de titularidade de Cláudia)’.

“Testemunhas que atestem a ausência de conhecimento/envolvimento da Defendente (Cláudia) com os negócios de seu marido e a inexistência de dolo eventual ou cegueira deliberada em seu comportamento”, sustenta a defesa de Cláudia.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco Resek (1983/1990 e 1992/1997), também ex-ministro de Relações Exteriores (1990 a 1992) do ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL), está na lista das testemunhas.
A defesa pretende que Resek esclareça questões referentes à “evasão de divisas, pela manutenção de conta (Kopek) não declarada no exterior; testemunhas que possam esclarecer fatos atinentes à constituição da conta Kopek e as razões da omissão em declará-la ao Banco Central do Brasil.”
Foram convocadas ainda testemunhas para falar sobre o tema “lavagem de dinheiro decorrente do recebimento de valores dos trusts Triumph e Orion SP (dos quais seu marido é beneficiário) na conta Kopek (de titularidade da Defendente)’.

“Testemunhas envolvidas com a instituição dos trusts mencionados na inicial e da conta Kopek que atestem sua forma de funcionamento, e as diligências de compliance efetuadas a fim de afastar qualquer imputação por lavagem de dinheiro por parte da Defendente ao receber valores de tais estruturas”, apontam os advogados.

Nesta lista estão funcionários do Banco Merril Lynch e os representantes da offshore Netherton Investments Chian Shu Xin, Cindv e Angela Nicolson, de Cingapura.

COM A PALAVRA, CARLOS MARUN
O Deputado Federal Carlos Marun (PMDB/MS), disse que, se ele for convocado a testemunha de defesa, logo ele irá comparecer e responder as perguntas que lhe forem feitas.
Até então não chegou nenhuma convocação.

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