01/07/2016 14h35 - Atualizado em 1/07/2016 14h35

Propinas a Cunha em 5 operações do FI-FGTS seriam de ao menos R$ 15,9 mi

Fábio Cleto, ex-vice presidente da Caixa, relatou pagamento de comissões sobre aportes do FI-FGTS em grandes empresas.
Foto: Reprodução
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Em cinco das 12 operações do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) com grandes empresas, detalhadas pelo ex-vice presidente da Caixa Fábio Cleto em sua delação premiada, as propinas ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), somariam ao menos R$ 15,9 milhões. A delação de Cleto foi uma das que embasou a Operação Sépsis, deflagrada nesta manhã com autorização do Supremo Tribunal Federal.

O achaque do peemedebista, que foi afastado da presidência da Câmara por determinação do Supremo Tribunal Federal e enfrenta um processo de cassação que deve ir a votação no plenário da Câmara em breve, é suspeito de achacar grandes empresas que buscavam financiamento do fundo. Apadrinhado de Cunha na Caixa, Cleto também participava do esquema e recebia uma porcentagem das propinas, que ele admitiu ter somado R$ 5 milhões em uma conta na Suíça, valor que será ressarcido por Cleto em sua delação como multa.

Além dele, o lobista apontado como operador de Cunha Lucio Bolonha Funaro, preso preventivamente na Operação Sépsis, também participava do esquema cobrando os valores das empresas e operacionalizando os pagamentos de propina. Cleto disse em sua delação que não cobrava pessoalmente propina das empresas. A tarefa caberia ao próprio Cunha ou a Funaro, que o teria apresentado ao peemedebista.

Conforme fonte com acesso às investigações relatou ao Estado, o colaborador contou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter conhecimento de que a comissão de Cunha seria de ao menos 1% numa operação de R$ 940 milhões com a Eldorado, do Grupo J&F, o que equivale a R$ 9,4 milhões. A empresa é alvo de um mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira, 1.

Cleto afirmou, no entanto, acreditar que Cunha cobrava porcentuais até maiores do que admitia nas conversas sobre o esquema. O deputado nega recebimento de vantagem indevida.

Na negociação de R$ 400 milhões com a Brado Logística, segundo Cleto, a comissão teria sido de 0,5% ou R$ 2 milhões.

Outro aporte, para uma subsidiária da OAS, de R$ 386,7 milhões, teria envolvido suborno de 0,3% (R$ 1,16 milhão). O delator detalhou ainda comissão de 1% a Cunha pela emissão de R$ 250 milhões em debêntures pelo FI-FGTS, pleiteada pela OAS para obras no Corredor Raposo Tavares, em São Paulo, e na Concessionária Rota do Atlântico, em Pernambuco. O porcentual corresponde a R$ 2,5 milhões.

Outro caso envolveu suposta cobrança de 1% sobre repasse de R$ 90,5 milhões para a Empresa de Saneamento de Tocantins (Saneatins), controlada pela Odebrecht Ambiental, o que equivale a R$ 905 mil.

Fonte: Estadão

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