18/07/2016 14h05 - Atualizado em 18/07/2016 14h05

‘Sou contra falar em privatização da Petrobras’, diz presidente da empresa

Pedro Parente apontou que uma das razões da crise da estatal foi “fazer deliberadamente a escolha de desonestos para liderar a empresa.
Foto: Reprodução
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O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse à Folha que não haverá “dogmas” na venda de ativos da estatal e admitiu estudar o controle compartilhado com o setor privado de algumas subsidiárias, como a BR Distribuidora ou a Transpetro.

“Na hipótese de a gente abrir a maior parte do controle, é com cocontrole”, afirmou, lembrando que isso será feito obedecendo a três condições: maximizar o valor dos ativos, preservar a empresa verticalizada e manter os seus interesses estratégicos.

Dogma, para Parente, é apenas a privatização da estatal. “Não acho que a sociedade brasileira esteja madura para sequer discutir, isto sim é dogma, a privatização da Petrobras.”

Em entrevista à Folha no escritório de São Paulo, Parente afirmou que os diretores envolvidos no petrolão “foram escolhidos com a intencionalidade” de praticar crimes e apontou que uma das razões da crise da estatal foi “fazer deliberadamente a escolha desses desonestos para liderar a empresa”.

Nome apontado pelo presidente interino, Michel Temer, como um dos trunfos de seu governo para ganhar a confiança do mercado, Parente sorriu antes de responder se ficaria na empresa numa eventual volta de Dilma Rousseff. “Não sei. Não tenho a menor ideia”, afirmou.

O gigantismo da Petrobras contribuiu para os desvios investigados na Lava Jato?

A empresa fez diversas modificações de controles internos, não temos mais decisões monocráticas. Hoje, as decisões da empresa são feitas em comitês estatutários para evitar que esse problema aconteça de novo.

Dada a intencionalidade dos agentes que cometeram esses crimes, é difícil acreditar que o problema tenha sido essa ou aquela forma com que a Petrobras faz suas compras e suas licitações. Eles dariam uma volta em qualquer tipo de sistema porque, no fim do dia, a consecução da prática não se dava na própria empresa, na assinatura dos contratos. Esse dinheiro saía depois de fazer o pagamento [às empreiteiras], conforme as delações. Tenho visto afirmarem que o regime de compras da Petrobras foi uma das causas. Eu tenho dúvidas. Porque havia uma claríssima intencionalidade de agir daquela forma.

Eles tinham muita autonomia para decidir, não?

Tinham, e houve uma trajetória que se mostrou muito funcional ao que aconteceu: exigir um conteúdo local muito maior, inclusive em áreas em que o país não tinha condições de atender. Todas as metas aparentemente autorizadas pelo pré-sal, mas que depois se mostravam irrealistas. E, em razão dessas metas irrealistas, precisamos construir mais refinarias, fazer mais contratos disso e daquilo. E é em razão dessas obras que não produziram resultados que temos a situação de hoje.

A intencionalidade desses agentes que transformaram a Petrobras em vítima é a principal razão, não o gigantismo.

A Petrobras deveria ser fatiada para ser mais eficiente?

Eu estou lá para provar o contrário. Eu seria absolutamente contra que ela fosse fatiada. Quero deixar claro que eu sou contra falar em privatização da Petrobras.

E o conteúdo nacional?

Eu sou a favor de uma política de conteúdo nacional. O que não acho aceitável nem possível é que seja uma política de reserva de mercado. Talvez o prejuízo mais grave foi o atraso na construção. Temos que ver aquilo que o país tem mais condições de produzir com competitividade.

O sr. é a favor da volta do modelo de concessão no pré-sal?

O modelo de partilha é o menos favorável para as empresas. Mas isso é questão de política de governo.

A meta de venda de ativos de US$ 15 bilhões neste ano será mantida?

Entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. Considerando o que já fizemos, que não foi muito, estamos hoje com uma meta de US$ 14,1 bilhões. Estamos mantendo a meta.

A venda vai se acelerar?

Não posso dizer ainda, mas a grande discussão será, atendendo às questões estratégicas da empresa, qual a velocidade com que vamos reduzir o endividamento. Em hipótese nenhuma será pior que a meta colocada.

Fonte: Folha de São Paulo

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