25/08/2016 08h00 - Atualizado em 25/08/2016 08h00

Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira atende 62 crianças com deficiência visual

A instituição oferece todo o conteúdo de uma grade curricular de uma escola de ensino regular.
Foto: Divulgação
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A Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) oferece escolas específicas de educação especial para deficientes visuais e uma dessas instituições que trabalham exclusivamente com educação especial e oferece este tipo de atendimento especializado é a Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira, localizada na rua Lourival Munis, 514, bairro da Glória, Zona Oeste de Manaus.No ano letivo de 2016, a escola atende aproximadamente 62 alunos nos turnos matutino e vespertino, atendendo crianças deficientes visuais totais ou com baixa visão.

A instituição recebe alunos de 0 a 6 anos, pois a modalidade ofertada é até o 2º ano do ensino fundamental. As crianças de 0 a 3 anos ficam na estimulação precoce, enquanto que os alunos de 4 e 5 anos fazem o pré-escolar e os estudantes de 6 anos iniciam a alfabetização.

Durante todo o processo de ensino das crianças, a escola trabalha a inclusão social, oferecendo ao aluno deficiente visual o ensino do braile e do sorobã (instrumento utilizado para fazer cálculos).

A assistente social da escola, Maria Eliete Menezes, ressaltou que o trabalho realizado na escola é importante para preparar os alunos. “Aqui na escola os alunos aprendem o braile e o sorobã para serem inclusos em outra instituição alfabetizados em braile. Sabendo o sorobã, que é a matemática deles, assim eles têm menos dificuldade”, disse.

Durante as atividades escolares, os alunos têm todo o conteúdo de uma grade curricular de uma escola de ensino regular, com exceção das crianças de estimulação precoce que precisam ir à escola duas ou três vezes por semana.

Além das aulas da grade curricular, esses alunos tem atividade da vida diária, têm acesso ao laboratório adaptado e fazem educação física de forma adaptada também.

Professor deficiente visual
O professor de informática da escola, Luiz Gonzaga de Araújo, 49 anos, também é deficiente visual e foi estudante da instituição. Ele destacou que a informática é fundamental no processo de educação das crianças. “Fiquei cego aos 17 anos e procurei uma escola para que eu pudesse estudar e completar os meus estudos. Cheguei aqui na escola em 1984 e naquela época funcionava de maneira precária. Eu consegui me formar, fazer faculdade e passei a trabalhar aqui na escola. Tenho 27 anos de trabalho pelo Joana Rodrigues. Atualmente, estou no laboratório de informática e hoje, o uso dos computadores é importante para qualquer pessoa, principalmente na vida de uma pessoa com deficiência. Hoje você pode usar um computador, receber e enviar um e-mail, fazer textos que antigamente você precisava de alguém pra transcrever, mas agora você pode digitar, imprimir, corrigir, fazer praticamente tudo que uma pessoa que enxerga pode fazer no computador e isso tem melhorado muito”, enfatizou o professor.

Luiz Gonzaga, que é formado em Pedagogia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e possui pós-graduação também pela Ufam em Educação Especial, acrescenta que os recursos tecnológicos são fundamentais para os alunos que estão aprendendo informática e dando continuidade nos estudos.

A importância da escola
Deusdite Ramos é mãe do pequeno Miguel Ramos, 8 anos. A criança é estudante da Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira e disse que a instituição é fundamental para ela e para a criança. “Meu filho está na escola desde 2014. Soubemos da instituição por meio da médica dele, que a indicou para nós. Quando ele chegou aqui não era alfabetizado ainda. Ele estudava antes, mas só era trabalhado com ele a questão da socialização. O ano de 2014 foi muito importante na vida do Miguel, hoje o meu filho é uma criança alfabetizada. Ele possui baixa visão e enxerga somente 10%, mas ele é alfabetizado, faz interpretação de texto e para mim, a escola foi essencial na vida dele”, declarou.

A mãe de Miguel explica que ficou encantada com o trabalho realizado na escola. “Quando eu vim pra cá fiquei encantada com a escola porque eu não sabia que existia. O Miguel cresceu com a deficiência visual e não foi estimulado quando criança porque eu não sabia que existia uma escola como essa. Depois eu fiquei pensando: ‘Meu Deus se eu soubesse do Joana o Miguel estaria aqui há mais tempo, estaria muito mais preparado’, porque se você preparar as crianças enquanto pequenas, lógico que terá um retorno mais rápido”, contou.

Para a realização do atendimento às crianças, os professores da instituição passam por um treinamento realizado na Escola Estadual de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz, no Centro, por meio do Centro de Apoio às Pessoas com Deficiência Visual (CAP).

Os professores que trabalham com a estimulação precoce fazem o treinamento no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro (RJ), uma tradicional instituição de ensino para deficientes visuais.

Como matricular as crianças
Os pais que desejarem colocar seus filhos com deficiência visual na Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira devem seguir os seguintes requisitos: para as crianças de 0 a 3 anos ficam na estimulação precoce, a qualquer período do ano eles podem realizar a matrícula, basta procurar a instituição de ensino. Para os alunos de 4 a 6 anos, é necessário ficar atento ao período de matrículas, junto com o ensino regular, conforme o calendário escolar da Seduc.

Informações: 3625-0609

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