15/09/2016 15h37 - Atualizado em 15/09/2016 15h37

Lula chora em ato do PT e diz que se entrega a pé se provarem corrupção

Lava Jato diz que Lula era o ‘comandante’ de esquema de corrupção.
Foto: Reprodução
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde de hoje (15), em entrevista coletiva em São Paulo, estar “indignado com as coisas que estão acontecendo no país”. Lula concede a entrevista um dia após ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro dentro da Operação Lava Jato.

“[Esta coletiva] É de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e estão acontecendo neste país. Penso que, neste país, tem pouca gente com a vida mais pública, mais fiscalizada que a minha”, disse o ex-presidente, em entrevista em um hotel na capital paulista.

Ele, que chegou a chorar em certos momentos da entrevista, negou ainda ter cometido qualquer irregularidade. “Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo. Mas quando eu não transgredir, procurem outro para criar problema”, disse ele, afirmando que provas são necessárias para prender alguém. “Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso”, disse ele.

Ele iniciou o discurso elogiando os advogados de defesa e disse que a esposa, Marisa Letícia, não compareceu à coletiva porque os “filhos pediram para almoçar com ela”.

Lula também elogiou o PT, partido do qual é um dos fundadores. “Tenho orgulho profundamente de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina”, disse. “Nós fomos elegendo prefeitos, vereadores e, com apenas 20 anos de existência, ganhamos as eleições [presidenciais] neste país. Era uma coisa inesperada”, acrescentou.

O ex-presidente disse ainda que tentaram fazer com ele, em 2005, enquanto presidente da República, “o mesmo que fizeram com Dilma”, em referência ao processo de impeachment. “Inventaram uma mentira e tornaram essa mentira uma verdade aos olhos da opinião pública e fizeram com que deputados, em uma noite que nunca o Brasil esquecerá, recomendassem que a Dilma fosse passar pela admissibilidade do Senado. Sempre entendi que o Senado tinha um nível superior”, disse. “Eles conseguiram dar um golpe tranquilo e pacífico, sem militares nas ruas”, acrescentou.

Lula comparou-se aos ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas e João Goulart. “Juscelino foi vítima de mais inquéritos que eu. Não tenho a vocação de Getúlio para me dar o tiro, do Jango, para sair do Brasil. Portanto, se eles querem me tirar, vão ter que disputar comigo, na rua. Eles achavam que eu estava vencido. Não sangrei e fui reeleito em 2006 embaixo da maior baixaria eleitoral acontecida até então. Meu adversário com cara de santinho, estava nervoso. Eu me ‘quedei’ tranquilo e ganhei as eleições. Tenho consciência de que meu fracasso teria agradado meus adversários e não teria despertado tanto ódio com o PT. O que despertou a ira foi o sucesso do meu governo, a maior política de inclusão social desse país”, disse.

Denúncia
Ontem (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado à Justiça pela primeira vez no âmbito da Operação Lava Jato. A denúncia também inclui a esposa dele, Marisa Letícia da Silva, e outras seis pessoas: o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e quatro pessoas relacionadas à empreiteira OAS: Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Valente Gordilho, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira. Lula foi denunciado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e falsidade ideológica.

Os procuradores afirmam que o ex-presidente recebeu vantagens indevidas referentes à reforma de um triplex em Guarujá (SP) feita pela empreiteira OAS. Segundo o MPF, a reforma foi oferecida a ele como compensação por ações do ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

A coletiva foi aberta por Rui Falcão, presidente do PT, que leu uma nota do partido em que diz que a denúncia do Ministério Público Federal foi um “espetáculo midiático”. Segundo a nota, a denúncia faz “um julgamento sumário” contra Lula e teria, segundo o PT, o objetivo de retirar Lula da disputa pela presidência da República em 2018. “Conclamamos todos os democratas a resistirem”.

Lula chegou à entrevista no Novotel Jaraguá com 30 minutos de atraso. Foi recebido por militantes com gritos de “Lula guerreiro do povo brasileiro” e “Fascistas não passarão”.

Do lado de fora do hotel, onde ocorre a entrevista, algumas pessoas se reuniam em um ato de apoio a Lula. Diversos ex-ministros petistas, deputados, vereadores, artistas e advogados acompanham a entrevista, tais como a senadora Gleise Hoffmann, o senador Humberto Costa, o senador Lindbergh Farias, Alexandre Padilha [atual secretário de saúde municipal de São Paulo], Jaques Wagner, Juca Ferreira, Marco Aurélio Garcia, os advogados José Roberto Batochio e Cristiano Zanin Martins, além do presidente nacional da CUT Vagner Freitas, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro, o ex-presidente nacional do PCdoB Renato Rabelo.

Fonte: Agência Brasil

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