12/09/2016 14h17 - Atualizado em 12/09/2016 14h17

Produtores orgânicos do Amazonas vão comercializar com a Conab alimentos para o programa Mesa Brasil

Os alimentos serão destinados a instituições sociais sem fins lucrativos, atendidas pelo Programa Mesa Brasil.
Foto: Divulgação
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Uma iniciativa pioneira na região Norte vai garantir que produtores orgânicos do Amazonas possam fornecer frutas, legumes e verduras para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A comercialização está sendo intermediada pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), do Governo do Amazonas e vai beneficiar cerca de 40 famílias de duas associações de produtores orgânicos instaladas no Amazonas.

É a primeira vez que a Conab recebe uma proposta de PAA Orgânico com Doação Simultânea na região Norte. Os alimentos serão destinados a instituições sociais sem fins lucrativos, atendidas pelo Programa Mesa Brasil, do Sesc. No valor de R$ 140 mil, a proposta encaminhada à Conab pela ADS, vai beneficiar diretamente a Associação dos Agricultores da Comunidade São Francisco, de Rio Preto da Eva e a Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas (Apoam), que reúne família de diversos municípios, incluindo Manaus.

No Rio Preto da Eva, município a 58,6 quilômetros de Manaus, um grupo de agricultores familiares da Comunidade São Francisco, que produz alimentos no sistema orgânico, sem uso de agrotóxicos, está entre os beneficiados da proposta. Há cerca de um mês, eles receberam do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) o título de Organização de Controle Social (OCS) e o reconhecimento de que os alimentos produzidos em suas propriedades atendem aos requisitos da produção orgânica.

“A classificação como OCS dá o direito ao produtor de comercializar seu orgânico na venda direta ao consumidor, ao mesmo tempo em que permite que as associações possam participar dos programas de governo”, explica o diretor-presidente da ADS, Lissandro Breval, ao destacar o papel fundamental da ADS e do Sistema Sepror no processo. “O programa já existe há muito tempo. Havia o recurso, mas não havia quem viabilizasse uma proposta e foi aí que entramos com a estrutura, indo às comunidades, fazendo um levantamento da produção, verificando o excedente e, junto com a Conab, começamos a trabalhar a proposta”.

Breval explica ainda que, além de mercado garantido, os produtores orgânicos têm a vantagem de comercializar os alimentos com um valor 30% superior aos produtos convencionais.

Parcerias
Segundo o chefe do Departamento de Negócios Agropecuários e Pesqueiros da ADS, Heitor Liberato, a primeira proposta de PAA Orgânica no Estado conta ainda com um esforço conjunto de vários parceiros na esfera estadual, federal e do terceiro setor.

“Esse processo tem muitos parceiros dentre os quais, o MAPA, que certificou as associações, a Sepror (Secretaria Estadual de Produção Rural), levando o conhecimento de orgânicos e assistência técnica através do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas), a Conab, a ADS, o Sesc, o Musa e a Rede Maniva de Agroecologia”, observou Liberato

Produtos saudáveis
Supervisionados por técnicos do Idam e da Sepror, os produtores da comunidade São Francisco toparam o desafio de produzir alimentos orgânicos, aqueles que não usam agrotóxicos e são mais saudáveis para o consumo. Práticas quem vêm mudando não apenas o jeito de produzir, mas também a consciência de toda uma comunidade. Seguindo o conceito da agroecologia, a produção orgânica reaproveita e utiliza os recursos naturais como restos de alimentos e o esterco de animais, para produzir o adubo e biofertilizante, além do inseticida natural em substituição ao agrotóxico.

Sistemas de consórcio, onde se mistura a plantação com animais, como os patos, ajudam no controle de pragas e na adubação natural do terreno. Também são aplicados métodos de consórcio com mais de uma espécie vegetal, para garantir nutrientes, água e outros fatores essenciais no desenvolvimento das plantas.

“Eu comecei com o químico e quando o Idam nos propôs trabalhar com orgânico eu percebi que a qualidade da nossa produção mudou, principalmente porque trabalhar com o químico é prejudicial à saúde. O orgânico tem um custo maior de trabalho, mas, na qualidade de vida a gente melhorou muito. A gente come coisas boas, saudáveis para a nossa família e para as pessoas que compram da gente”, ensina a produtora orgânica, Ivonete de Souza Mota, que há quatro anos adotou o sistema orgânico em sua propriedade.

A garantia de mercado certo com a venda dos produtos para a Conab, também está animando os produtores que já fazem planos para aumentar a produção. É o caso do agricultor Jonas Mota que, por conta da perspectiva de ter compra garantida para os seus produtos, já está investindo em sua propriedade para ampliar a produção. “Nosso maior problema era vender nosso produto todo na feira. Agora, com essa garantia de compra, a gente pode pensar em aumentar nossa produção”, disse o agricultor que recentemente convocou mutirão para a construção de um galpão para estocar os produtos.

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