Pesquisa compara a incidência da tuberculose com as desigualdades sociais

A pesquisa é feita com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
21/11/2016 11h21 - Atualizado em 21/11/2016 15h26
Foto: Reprodução

As desigualdades sociais também podem incidir nas doenças. E, com esse propósito, o estudante de Biomedicina da Faculdade Estácio, Hermon Souza Mendes, começou a analisar o impacto dessas desigualdades na incidência da tuberculose em Manaus. A pesquisa é feita com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) e sob a orientação do biólogo da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Daniel Barros de Castro.

Além de contribuir com informações para elaboração de ações estratégicas de controle e monitoramento da tuberculose, a pesquisa deve descrever a dinâmica de transmissão da doença na capital. Segundo Daniel, no estudo serão analisados dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 2008 a 2014.

Segundo o orientador do estudo, a desigualdade social acontece quando a doença ocorre de maneira mais intensa em um grupo populacional do que em outro. Por exemplo, se a doença afeta mais uma população social menos favorecida e afeta menos grupos sociais melhores favorecidos tanto em termos de renda como de educação.

O doutorando em epidemiologia pela Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz-RJ), explica que em determinadas situações, a desigualdade social já é esperada, como é o caso de pessoas com idade avançada. Esse público geralmente teve mais contato com pessoas doentes e reúne outras doenças que favorecem o desenvolvimento da tuberculose.

Ele conta ainda que há casos de desigualdade intitulada “injusta”, composta por fatores relacionados ao modo de vida social do indivíduo. “Há outras desigualdades, como por exemplo, o fato da tuberculose afetar mais pessoas pobres ou desnutridas, e também da incidência ser diferente em grupos étnicos. Consideramos esses tipos desigualdade da incidência da doença uma desigualdade injusta. O objetivo do trabalho é descrever como que está ocorrendo a doença em Manaus e identificar as possíveis ocorrências de desigualdade injusta, as iniquidades sociais da doença”, disse Barros.

A partir dos dados coletados no Sinan e censos do IBGE, o grupo de pesquisa poderá calcular a incidência da doença nos diferentes grupos populacionais da capital amazonense determinados por categoria de gênero, raça, ano de escolaridade. A partir desse raciocínio será possível detectar possíveis diferenças na incidência da tuberculose.

“Vamos descrever, a partir do ponto de vista temporal, se há uma tendência dessa desigualdade está aumentando ao longo do tempo, quais grupos são afetados com o aumento, ou se a tendência indica que o serviço de saúde atualmente está conseguindo uma diminuição das injustiças sociais na incidência da doença”, conta Daniel.

Para o estudante do 4º período de Biomedicina, Hermon Souza, que participa do primeiro projeto de Iniciação Científica (IC), a pesquisa está lhe proporcionando novas experiências e contribuindo com seu desenvolvimento intelectual.

“Está sendo muito válido trabalhar com diversos bancos de dados e entender um pouco mais sobre bioestatística, que é uma matéria que tenho no meu curso. Pretendo adentrar a área de pesquisa e esse projeto na FVS tem sido muito importante para mim”, disse o universitário.

O biólogo Daniel acredita que o Paic possibilita não só a imersão do jovem pesquisador no universo científico, mas também contribui com a formação de recursos humanos para Estado do Amazonas.

“Para nós (pesquisadores) é bem oportuno, porque serão mãos de obra no Estado capacitadas desde a graduação para continuar a desenvolver as pesquisas necessárias para a região. Além de formação de recursos humanos para o futuro, estamos trazendo todo ciclo de informações que estão circulando para dentro da FVS”, disse o estudioso.


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