Juiz chamado para negociar fim de rebelião no Compaj nega ligação com facção

Para o juiz, seu nome foi envolvido na La Muralla II por conta de diferenças entre ele e a Polícia Federal.
03/01/2017 17h07 - Atualizado em 3/01/2017 17h07

Foto: reprodução


O juiz Luís Carlos Valois, da Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça do Amazonas, que ajudou a negociar a libertação de reféns no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, afirma ser vítima de ameaças de morte após reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo Intitulada “Juiz chamado por presos para negociar é suspeito de ligação com facção do Amazonas”.

Na rebelião, integrantes da Família do Norte (FDN), grupo criminoso aliado ao CV, atacaram membros do PCC. Valois, convocado pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, a pedido dos presos, participou das negociações que culminaram com a libertação dos reféns.

Valois denunciou as ameaças, que teriam sido feitas por integrantes do PCC, em seu perfil oficial no Facebook e as confirmou em entrevista.

O nome de Valois foi envolvido na operação pois ele é citado em um diálogo entre um suposto líder da FDN, chamado José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, e sua advogada, Lucimar Vidinha, apontada como integrante da facção. Segundo uma inferência da PF, tomada aparentemente a partir das falas interceptadas da advogada, Valois teria pedido apoio da FDN para permanecer no cargo.

Não há na investigação qualquer gravação de Valois. Para o juiz, seu nome foi envolvido na La Muralla II por conta de diferenças entre ele e a Polícia Federal. “Colocaram essas gravações no meio da operação para jogar na imprensa e me sacanear”, afirmou Valois.

“A PF recorre de todas as minhas decisões, já representou contra mim, por eu ter uma posição garantista e questionar a legalidade de algumas prisões”, disse. “A PF nunca ficou satisfeita com a minha atuação”, afirmou

Valois nega qualquer pedido de apoio aos presos. “Nunca estive ameaçado de perder o meu cargo. Houve uma interpretação equivocada dessa advogada quando soube do meu pedido de licença para completar o doutorado”, disse. “Nunca fui afastado, continuo trabalhando e julgando. E todos os presos gravados na operação continuam presos”, afirmou.

Na tarde desta terça-feira 3, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou uma nota de apoio a Valois, criticando a operação contra ele e o comportamento da imprensa.

“Matéria do Estadão reproduzida por diversos veículos de imprensa destacou uma suposta acusação feita contra Valois, que não condiz com a realidade e a seriedade do trabalho realizado pelo juiz”, afirma a entidade. “O magistrado Luís Valois tem o respeito da magistratura amazonense e brasileira que lhe disponibiliza, inclusive, os meios necessários à reposição da verdade e da honra atacadas”, afirma a AMB.


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