Livro infantil de contos que cita temática do incesto será recolhido em escolas, diz MEC

Ministério da Educação (MEC) decidiu retirar das prateleiras 93 mil exemplares de obra recomendada para estudantes de 7 e 8 anos.
08/06/2017 15h30 - Atualizado em 8/06/2017 17h21
Foto: Reprodução

O ministro da Educação, Mendonça Filho, resolveu recolher 93 mil exemplares do livro de contos “Enquanto o sono não vem”, distribuídos em escolas públicas de ensino fundamental e recomendados para alunos do primeiro ao terceiro ano, entre 6 e 8 anos. As primeiras reclamações sobre o livro surgiram no Espírito Santo, onde a obra já tinha sido recolhida por secretarias locais.

A decisão do MEC se baseia em um parecer técnico da Secretaria de Educação Básica (SEB), que considera a obra inadequada por causa do conto “A triste história de Eredegalda”, que trata a história de um rei que quer se casar com uma de suas filhas.

O parecer técnico demonstra que o texto de obras literárias deve ser adequado não só às competências linguísticas e textuais do aluno, mas também à experiência de vida daquele leitor. “As crianças no ciclo de alfabetização, por serem leitores em formação e com vivências limitadas, ainda não adquiriram autonomia, maturidade e senso crítico para problematizar determinados temas com alta densidade, como é o caso da história em questão”, garante o parecer, em referência ao conto.

A obra faz parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e foi avaliado e aprovado, em 2014, pelo centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Os 93 mil exemplares serão recolhidos das escolas de nível fundamental e serão redistribuídos em bibliotecas públicas de todo Brasil.

A história
A obra é de autoria de José Mauro Brant e foi publicada pela Editora Rocco, No livro, existe uma descrição, explicando a origem da história. “A história da princesa assediada pelo próprio pai aparece em vários lugares do Brasil com nomes diferentes: ‘Silvaninha’, ‘Valdomira’, ‘Faustina’. A versão aqui incluída foi inspirada em uma recolhida em Barbacena, Minas Gerais, e foi acrescida dos versos de um acalanto denominado ‘Lá vem vindo um anjo’”.

Em entrevista ao G1 ES, o autor disse acreditar que a polêmica gerada em torno da obra tenha sido causada por falta de informação de capacitação dos profissionais. “Há uma desinformação do que é o conto folclórico e dos contos de fada, que são territórios que abordam assuntos delicados. A gente está falando de um universo simbólico. É uma história que dá voz a uma vítima”, disse.

A UFMG, que analisou as obras do PNAIC, disse que a polêmica “trata-se de um julgamento indevido construído por leitura equivocada”.

“Aparentemente, alguns leitores desavisados consideraram que, por conta dessa temática, a narrativa seria inadequada para crianças. O mesmo pode acontecer com o tema do sequestro, presente na narrativa ‘Canta, canta meu surrão’. Trata-se, em ambos os casos, de um julgamento indevido construído por leitura equivocada do romance, do reconto, da tradição oral e do lugar da literatura na formação da criança”, diz um trecho a nota técnica enviada pela UFMG.


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