Bolsonaro vai aos EUA ‘vender’ candidatura

O intuito é “vender” sua possível candidatura a presidente a investidores, analistas e eleitores brasileiros radicados no país.
25/08/2017 15h15 - Atualizado em 25/08/2017 16h26
Foto: Reprodução

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) prepara um roteiro de debates, audiências e palestras nos EUA em outubro para “vender” sua possível candidatura a presidente a investidores, analistas e eleitores brasileiros radicados no país.
A viagem, a princípio de 8 a 14 de outubro, originou-se de uma mesa-redonda para a qual Bolsonaro foi convidado, no centro de pesquisas do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho em Nova York, o The Inter-American Institute.

Debaterão também o pesquisador Jeffrey Nyquist e uma jornalista da rede de TV conservadora Fox News.
O brasileiro-americano Gerald Brant, que trabalha em uma consultoria em Nova York e é ligado ao instituto, está incumbido de viabilizar um encontro de Bolsonaro com investidores.

“Eles querem conhecer o presidenciável brasileiro com grandes chances de ganhar no ano que vem”, disse seu filho Flavio Bolsonaro (PSC-RJ), deputado estadual no Rio. “Querem saber onde põem o seu dinheiro.” Brant mantém amizade há anos com Flavio, que o procurou para marcar a reunião, ainda não confirmada. A família tenta também agendar encontros com políticos do Partido Republicano.

‘BRAZUCAS’
A passagem de uma semana do potencial presidenciável terá também paradas em Miami e Boston.
Na cidade da Flórida, a produtora de eventos brasileira Karol Eller organiza uma palestra na região de Deerfield, aberta ao público.

Em Boston, segundo Flavio Bolsonaro, o deputado terá um encontro com o prefeito da cidade, Marty Walsh, do Partido Democrata, além de conversas com a comunidade brasileira local.
Segundo estimativas do Itamaraty, Boston (350 mil), Nova York (285 mil) e Miami (250 mil) têm as maiores concentrações de brasileiros nos Estados Unidos. Comunidades brasileiras no exterior podem votar em representações diplomáticas.

“Queremos passar a mensagem de que, caso ele seja eleito, fará tudo para melhorar a questão da violência e do desemprego, que são muito fortes [para a comunidade], para terem vontade de voltar a morar perto de suas famílias no Brasil”, afirmou Flavio Bolsonaro.

Seu irmão Eduardo o ajuda na logística. Bolsonaro pai esteve uma única vez nos Estados Unidos, anos atrás, para ir à Disney e não fala inglês. Os filhos dizem que arcarão com as próprias despesas, e o pai deve viajar a convite do The Inter-American Institute, segundo Flavio.

Referência do conservadorismo no Brasil, Olavo de Carvalho já flertou publicamente com Bolsonaro. O deputado disse que o pensador é uma de suas inspirações intelectuais e ouviu que o filósofo aceitaria ser seu “conselheiro particular” em eventual gestão Bolsonaro.

A pauta do debate no Inter-American Institute é a relação entre Brasil e Estados Unidos e o Foro de São Paulo, organização de esquerda da América Latina fundada inclusive pelo PT que é frequentemente alçada a vilã nos discursos do deputado.

O terceiro debatedor, Jeffrey Nyquist, é pesquisador no instituto do que ele chama de “cultura de negação” ocidental aos riscos oferecidos por armas de destruição em massa.
Procurados, Carvalho e Nyquist não responderam.


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