Roraima pede reforço de tropas federais na fronteira com Venezuela

O estado é o principal destino dos venezuelanos que fogem da violência e da falta de perspectiva econômica.
11/08/2017 11h47 - Atualizado em 11/08/2017 11h47
Foto: reprodução

O governo de Roraima pediu reforço de tropas federais na fronteira com a Venezuela. O estado é o principal destino dos venezuelanos que fogem da violência e da falta de perspectiva econômica.

O dia amanhece e a fila já está formada. São quase 300 venezuelanos. Eles buscam permissão para entrar no Brasil. A cena é o retrato da explosão da imigração nos últimos dois anos.

Nos seis primeiros meses de 2017, mais de 7.600 venezuelanos pediram refúgio no Brasil, mais do que o dobro registrado em todo o ano de 2016; 58% são homens, a maioria tem de 22 a 25 anos; 27% tem formação de nível superior.

São médicos, economistas e engenheiros como o Billy. Ele conta que na Venezuela não há empresas abertas para oferecer empregos por isso foi para o Brasil.

Nos primeiros seis meses de 2017, três mil venezuelanos conseguiram tirar carteira de trabalho em Boa Vista. Chegou a faltar o documento num posto do Ministério do Trabalho.

“Nós tivemos que pedir, remanejar de outros estados carteiras de trabalho para estrangeiro. Então nós já recebemos do Acre, Amapá e a última agora foi do Maranhão”, disse Sintique Braz, chefe do setor de carteiras do trabalho do Ministério do Trabalho.

Mas não basta ter a carteira de trabalho na mão, é preciso ultrapassar a fronteira do idioma.

Os papéis se inverteram. A maioria já passou por uma universidade na Venezuela, mas teve que voltar a estudar no Brasil. Já os universitários brasileiros viraram professores para ensinar aos venezuelanos o que eles mais precisam para conseguir um emprego: aprender a falar português.

Na Venezuela, Jesus se formou em direito e agronomia. Fez duas pós-graduações e no Brasil está de volta à sala de aula.

“Se você não se comunica bem com as pessoas, você fecha a sua porta, não tem porta aberta para trabalho e para fazer vida aqui no Brasil”.

A rua era o lar do Júnior e da irmã. Graças a voluntários brasileiros, eles conseguiram trabalho, casa e a chance de seguir em frente.


*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.


Contato Termos de uso