Alfredo Nascimento deixa de ser investigado por recebimento de propina na Lava Jato mas segue pelo STF

Segundo a denúncia, em sua campanha para o Senado em 2008, Alfredo teria recebido R$ 200 mil de uma empreiteira.
10/11/2017 15h18 - Atualizado em 11/11/2017 13h28
Foto: divulgação

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o deputado federal Alfredo Nascimento(PR-AM) das investigações da Lava Jato por considerar que a denúncia contra o parlamentar feita por delatores não tem qualquer relação com esquema de propina envolvendo a Petrobras ou qualquer outra estatal ou órgão do Governo Federal no âmbito da operação comandada pelo juiz Sérgio Moro.

“Sabia que uma hora a verdade iria aparecer. Nunca me envolvi ou pratiquei qualquer ilegalidade. Não conhecia os delatores e fui vítima porque, quando ministro dos Transportes, acabei com o cartel das grandes construtoras e paguei e até hoje pago um preço político e pessoal alto por isso”, desabafou Alfredo.

No despacho de sua decisão que tira Alfredo das investigações no âmbito da Lava Jato, o ministro Edson Fachin sustenta que a citação dos delatores “em nada se relaciona com o que se apura na referida operação de repercussão nacional”. O inquérito de 4443 foi encaminhado para a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, que o redistribuiu para o ministro Marco Aurélio Mello para elucidar o que foi denunciado.

Alfredo apareceu na delação dos executivos da Odebrecht, citado entre os políticos que teriam recebido recursos não contabilizados para a campanha eleitoral. Segundo a denúncia, em sua campanha para o Senado em 2008, Alfredo teria recebido R$ 200 mil da empreiteira a pedido do deputado mineiro Milton Monti, do mesmo partido do parlamentar amazonense. Em troca, a empresa teria facilidades em obras no Ministério dos Transportes.

“Tive minha vida vasculhada pela Polícia Federal e Receita Federal. Investigaram tudo e nada foi provado contra mim. Fui inocentado de todas as denúncias. Foi descoberto, sim, uma armação das empreiteiras para provocar minha saída do ministério. E tenho certeza que mais uma vez vai ficar provada minha inocência”, disse.

No Inquérito, os delatores afirmam que tiveram uma reunião no gabinete do então ministro Alfredo quando foi solicitada a contribuição para a campanha. “Não conheço esses delatores e tenho em mãos provas de que nunca houve essa citada reunião. Não há registro dessa alegada reunião na agenda, que consta todas audiências e reuniões no Ministério. Vai ficar provado que eles mentiram”, garantiu.


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