“Delegado está sendo julgado antes da hora, por juízes incompetentes e pessoas que ouviram falar’ diz juiz sobre Gustavo Sotero

Luís Carlos Valois, da Vara de Execução Penal do TJAM defende que a sentença de culpa ou inocência só pode ser decretada pela Justiça.
28/11/2017 14h58 - Atualizado em 29/11/2017 16h09
Foto: reprodução

Redação AM POST

O juiz Luís Carlos Valois, da Vara de Execução Penal do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), disse, em sua página no Facebook, que já foi confrontado pelo delegado Gustavo Sotero, da Polícia Civil do Amazonas, preso por ter atirado no advogado Wilson de Lima Justo Filho dentro da casa noturna Porão do Alemão, em Manaus, na madrugada de sábado, 25. Wilson morreu momentos depois.

Conforme o juiz, o delegado está sendo julgado antes da hora pela imprensa e juízes incompetentes.

Leia o texto de Valois:
“Mais de uma vez pediram minha opinião sobre o caso do delegado que, armado, em uma balada, teria atirado e matado uma pessoa em Manaus. Ninguém mais do que eu teria motivos para, na primeira oportunidade, tripudiar de um policial que fosse taxado pela imprensa, ou pelas redes sociais, como assassino e bandido. Mas não farei isso, nunca faria, mesmo que esse policial tenha sido um dos que apontaram o dedo para mim quando a mesma imprensa, mancomunada com a polícia, me acusou também de bandido, coisa que parece estar se vulgarizando.

Tem sido certo tipo de imprensa que forja essa ideia de bandido, para diferenciar a pessoa acusada de ter cometido um delito das demais, estimulando o ódio e mais violência na sociedade. Sou pelo Estado de Direito, pelas leis e pela Constituição, portanto acho que esse delegado está sendo julgado antes da hora, por juízes incompetentes, por pessoas que ouviram falar, sem poder ter defesa e manifestar-se, o que não é julgamento justo.

“Por isso não emiti opinião até agora, porque as pessoas não conseguem perceber que só um processo pode levar a considerar uma pessoa culpada, e que isso é garantia de todos, não só do delegado, como de qualquer um, seja taxado de bandido ou não… lutar pelo direito ao processo é lutar contra as obviedades (Ah, é obvio que ele é culpado!), porque são as obviedades que matam o direito ao processo!”


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