Temer quer atrair os eleitores de Bolsonaro, diz Lula sobre intervenção no Rio

Petista acredita que intervenção pode ser também um “espetáculo” criado pelo governo para disfarçar a derrota da reforma da Previdência na Câmara.
21/02/2018 19h15 - Atualizado em 21/02/2018 19h15
Fonte: Reprodução

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a intervenção federal adotada pelo governo Temer para controlar a segurança pública no Rio de Janeiro. Além disso, o petista afirmou que essa pode ser uma estratégia do presidente Michel Temer (MDB) – em uma possível tentativa de reeleição – de atrair os eleitores do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para ele.

“Eu acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato a presidente da República. E ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para ele pegar o nicho de eleitores do Bolsonaro”, afirmou Lula em entrevista à rádio Itatiaia, na manhã desta quarta-feira (21).

Além disso, o ex-presidente denunciou que a intervenção pode ser também um “espetáculo” criado para disfarçar a derrota da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.
“Temer sabe que o que tirou a reforma da Previdência da pauta não foi ele e nem a intervenção, foi a pesquisa do Datafolha que mostrou que os deputados não iriam votar a aprovacão da Previdência”, contextualizou.

“Eles pensaram em criar outro espetáculo, e então criaram a intervenção no Rio, passando para a sociedade a ideia de que agora os problemas vão acabar. E não vão”, afirmou o petista.

Durante a entrevista, o ex-presidente afirmou ainda que, na sua opinião, para resolver o problema da violência no Rio, é preciso pensar em políticas públicas que garantam a educação, a qualidade de vida e o emprego para a população.

“Se o estado não está presente com políticas públicas nos lugares mais pobres, seja no Rio de Janeiro ou em qualquer lugar, a violência aparece com mais frequência”, pontuou.

Preparação dos militares
O ex-presidente afirmou que está preocupado com a pauta da intervenção federal no Rio de Janeiro porque “esse é um tema que mexe com todos os brasileiros, sobretudo com os mais pobres”.

Para ele, os militares do exército não estão preparados para lidar com o bandido das favelas, que é envolvido com o tráfico de drogas. De acordo com o petista, as ruas do Rio não são lugar para forças militares.

“Minha preocupação é que o exército não é preparado para enfrentar o narcotráfico e para lidar com bandido em favela. Ele é preparado para defender a soberania nacional contra possíveis inimigos externos”, disse. “Ao você colocar o exército em uma tarefa dessa, sem prepará-lo, o que pode acontecer é que, depois do espetáculo, o resultado seja negativo”, afirmou Lula.


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