Polícia analisa vídeo de lanchonete onde cliente recebeu pedido com a palavra ‘macaco’

Imagens mostra cliente acompanhando funcionário digitar o pedido. Atendente prestou depoimento à polícia.
30/03/2018 13h53 - Atualizado em 30/03/2018 13h53
Foto: Reprodução

Polícia Civil de São Paulo analisa imagens do circuito de segurança da loja da rede de fast-food Burger King onde um cliente recebeu o ticket do pedido de lanche com a palavra “Macaco”. A empresa enviou uma série de vídeos para a polícia depois que o funcionário que atendeu o cliente afirmou ter apenas as instruções diretas do consumidor. Na tarde desta quarta-feira (28), o funcionário prestou depoimento à polícia.

O incidente aconteceu por volta de 5h da madrugada de sábado (24) na loja da Avenida Santo Amaro, em Moema, Zona Sul de São Paulo. Um dos vídeos (veja acima) mostra o momento em que o universitário David Reginaldo de Paula Silva, de 24 anos, faz o pedido no balcão. Ele fica ao lado do caixa e observa o atendente digitando o pedido no monitor. O vídeo não tem som.

Em nota, o Burger King afirmou que “é possível ver imagens do consumidor entrando ao lado do balcão e conversando com o atendente – onde ele acompanha o registro do seu pedido e digitação do nome a ser chamado”. A empresa disse ainda que o cliente é um ex-funcionário do Burger King.

Na terça-feira (27), David relatou o ocorrido ao G1. “Meu aniversário foi dia 19. Saí na sexta para comemorar, e na volta fui com uma amiga diplomata à lanchonete para comer algo. Vi no balcão um cupom de desconto. Fiz um pedido normal. O atendente perguntou meu CPF, nome e anotou. E esperei chamar minha senha. Foi quando vi ao lado da senha o nome ‘macaco’ e fiquei assustado”, disse.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) registrou a queixa como injúria racial porque, de acordo com o artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, o funcionário do BK ofendeu a dignidade ou decoro utilizando palavra depreciativa referente à raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima.

Veja a nota do Burger King
O BK Brasil reitera que abomina qualquer ato de discriminação racial, de gênero, classe social ou qualquer outro tipo. Somos uma empresa que preza pela diversidade. Nosso propósito é fazer com que todos se sintam bem-vindos quando entram em qualquer um de nossos restaurantes. Tomamos conhecimento do acontecido em nosso restaurante em São Paulo e estamos levando o caso muito a sério.

Segue o que já sabemos até o momento:

– Já estamos colaborando com as investigações e já demos as imagens de nossas câmeras de segurança para às autoridades;

– O consumidor é um ex-funcionário da companhia;

– O funcionário que atendeu ao reclamante comunicou a gerência do restaurante que seguiu instruções diretas do consumidor;

– Nos vídeos entregues às autoridades, é possível ver imagens do consumidor entrando ao lado do balcão e conversando com o atendente – onde ele acompanha o registro do seu pedido e digitação do nome a ser chamado;

– O funcionário em questão foi afastado preventivamente enquanto a investigação está em curso;

– Independente do resultado das investigações, o Burguer King lamenta profundamente o episódio que vai totalmente contra seus princípios e a prática cotidiana de seus mais de 12 mil funcionários em todo o Brasil.

Reforçamos que o BK Brasil continuará contribuindo com as investigações, reforçando o compromisso público de repudio à qualquer tipo de discriminação.


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