Polícia monta rede de proteção para ajudar adolescentes envolvidos em seita satânica, no AM

Jovens de 17 anos teriam furtado artigos religiosos de loja maçônica para fazer rituais em Nova Olinda do Norte. Animal teria sido sacrificado em cemitério.
25/04/2018 18h20 - Atualizado em 25/04/2018 18h21
Foto: Divulgação/PM

Uma rede de proteção foi criada no município de Nova Olinda do Norte, a 135 km de Manaus, para atender cerca de 20 adolescentes que estariam envolvidos em uma seita satânica. Segundo a Polícia Civil, a seita recrutava jovens para cerimônias de mutilação e sacrifício de animais.

O grupo de auxílio inclui o Conselho Tutelar da cidade, as policias Militar e Civil, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).

O caso foi descoberto após dois adolescentes de 17 anos serem presos pelo furto a uma loja maçônica na cidade, no fim do mês de março. Da loja, a dupla levou dois castiçais, dois martelos, sete livros, uma cadeira de madeira e um candelabro, que seriam usados nos rituais.

Um dos jovens apreendidos informou à polícia que os objetos seriam usados em reuniões de uma seita de ocultismo que estuda demonologia no município. Um deles disse que era o líder do grupo de adolescentes, porque era considerado o “mais graduado”.

“Ele disse que realizou diversas pesquisas na internet sobre demonologia e é o mais graduado, por isso é o líder”, disse um policial da 47ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), que não teve o nome divulgado.

Um inquérito policial foi instaurado. Os adolescentes foram liberados após prestarem depoimento.

Rituais
Segundo a polícia, pouco mais de 20 adolescentes participam da seita. Cinco deles já teriam realizado um pacto para iniciação, que envolve um ritual de mutilação dos braços com gilete. Os eventos ocorriam sempre na casa do líder.

No corpo, os jovens desenhavam símbolos como cruzes invertidas ou estrelas. O sangue da ferida era colocado em uma taça e bebido pelo iniciado. Em seguida, eles deitavam no chão, cercados de vela, e recebiam pingos de cera quente no corpo.

A polícia também informou que rituais já foram realizados no cemitério da cidade. No local, o grupo matou um gato, que teve o coração comido pelos jovens.

As investigações apontaram ainda que, após o pacto, os iniciados com mediunidade mais aflorada eram separados para que pudessem estudar sobre a seita e, futuramente, entrar em contato com entidades.

Suposto ‘mensageiro’
A indicação de novos participantes para a seita eram feitas supostamente por um homem, que mora em Manaus, mas ainda não identificado pela polícia. Ele seria responsável pelo recrutamento de novos adolescentes, segundo um policial, que também não quis se identificar.

“O adolescente informou que tem um ‘mensageiro’ em Manaus. Esta pessoa é responsável por buscar nas redes sociais jovens que moram em Nova Olinda e que sejam de fácil convencimento”, disse.

Depois de identificar os adolescentes, os nomes eram repassados para o adolescente líder, que entrava em contato para tentar convencer os jovens.

Rede de auxílio
Até agora, cerca de 10 jovens que participam da seita foram atendidos pelo Conselho tutelar e encaminhados para atendimentos psicológicos. Além dos participantes da seita, os familiares também têm recebido atendimento.

“Eles estão sendo acompanhado pela rede de proteção e com os direitos garantidos. Com a exposição que está tendo, afeta o acompanhamento psicológico. Eles estão fragilizados”, disse o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA), Luciano Cabral.

E salientou a necessidade de mais investimentos e politicas públicas voltadas para a inclusão, ocupação, educação e desenvolvimento intelectual dos jovens.

Fonte: G1


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