Homem pede emprego em semáforo e promete 30% de salário para quem ajudar

Desempregado há dois meses, Josias Freire, de 51 anos, diz que idade é obstáculo. No ‘currículo’ em forma de panfleto, ele promete doar parte do primeiro salário.
10/07/2018 18h52 - Atualizado em 10/07/2018 18h52
Foto: reprodução

Com o objetivo de não ser mais apenas um dos nomes escritos em currículos distribuídos diariamente na Paraíba, Josias Freire, de 51 anos, decidiu fazer algo inusitado. Desempregado há aproximadamente dois meses, ele distribui, nos semáforos de João Pessoa, panfletos com suas principais habilidades e experiências, oferecendo 30% do seu primeiro salário para quem ajudá-lo a conseguir um emprego. Segundo ele, a ideia surgiu há um mês.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2018, aproximadamente 201 mil pessoas estavam desocupadas no estado. Dessas, 19% estão faixa etária de 40 a 59 anos, assim como Josias.

Para Josias, a idade tem sido uma das maiores dificuldades para a reinserção no mercado de trabalho. “Entre uma pessoa com 51 anos e uma mais nova, eles preferem colocar os jovens, mesmo que eles não tenham experiência”, disse.

No panfleto que entrega nas ruas, Josias afirma que trabalho durante 15 anos com medicamentos. “Mas se a pessoa me arrumasse um emprego de porteiro de condomínio ou limpeza, eu aceitaria, porque eu estou precisando”, relatou.

Apesar da idade, Josias comentou que está disposto a aprender com o emprego que conseguir, segundo ele, porém, as habilidades com algumas tecnologias também têm representado obstáculos em sua busca.

Para a analista de trabalhabilidade Juliana Nóbrega, a forma como alguém que procura por um emprego se posiciona no mercado de trabalho pode ser decisiva.

“É sempre buscar surpreender o mercado. Não é adequado, obviamente, que você faça um currículo e entregue no sinal de trânsito, mas a maneira como ele fez e buscou esse contato com o mercado, buscou surpreender”, explicou.

Nesse processo, quando utilizada com prudência, a criatividade torna-se uma ferramenta importante. “Ao invés de entregar de forma tradicional, um currículo tradicional, em empresas tradicionais, Josias criou uma história e resolveu contar essa história no sinal”, disse a analista.

E embora a espera possa ser cansativa, no panfleto que entrega nas ruas de João Pessoa, Josias afirma que aceita contratações por períodos de experiência, mas também faz uma espécie de promessa.

Fonte: G1


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