Marina Silva faz vaquinha na internet para financiar campanha

Sem coligações partidárias fechadas a ex-senadora lançou uma vaquinha na internet.
17/07/2018 16h53 - Atualizado em 18/07/2018 15h14
Foto: Vagner Campos/MSILVA Online/VEJA

Marina Silva (Rede) começou a pedir dinheiro para ajudar em sua “campanha franciscana”, como ela define sua terceira tentativa de chegar à Presidência. Sem coligações partidárias fechadas (o que a deixa com apenas 8 segundos no horário eleitoral) e com direito a 0,62% dos recursos do fundo eleitoral, a ex-senadora lançou uma vaquinha na internet.

O crowdfunding entrou no ar nesta terça-feira (17), com o mote de que é preciso “equilibrar a disputa” para fazer frente “aos grandes partidos e suas mentiras”. Outros pré-candidatos, como Lula (PT), Manuela D’Ávila (PC do B), João Amoêdo (Novo), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), já têm sites para receber doações, com ritmo irregular de adesões.

O objetivo inicial da ex-senadora é conseguir R$ 100 mil para realizar eventos em cinco capitais e divulgar suas propostas. Uma segunda meta é alcançar R$ 200 mil para o que a campanha chama de combate a “mentiras, acusações levianas e notícias falsas” de adversários.

Um vídeo na página, com locução da atriz Cássia Kis, apresenta a pré-candidata como a pessoa capaz de unir os brasileiros resgatar o respeito e a esperança na política.

Marina usou o modelo de vaquinha em suas duas eleições anteriores. Na de 2014, arrecadou R$ 371 mil —o suficiente para pagar 0,6% dos gastos de campanha, que totalizaram R$ 61 milhões.

A líder da Rede vem dizendo que fará neste ano uma mobilização compatível com os recursos de que dispõe. Ela compara sua situação à luta de Davi contra Golias.

Para os programas de TV, a pré-candidata deve ter a ajuda do cineasta Fernando Meirelles, que já a auxiliou em outros anos. Para os atos de rua, espera contar com voluntários e filiados do partido.

A sigla decidiu que, dos R$ 10 milhões que receberá do fundo eleitoral, metade será destinada para a eleição da presidenciável. Ela terá cerca de R$ 5 milhões.

O tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, deve receber de seu partido R$ 70 milhões, o teto estipulado pela Justiça para os gastos de campanhas presidenciais neste ano. O PSDB tem direito a 10% do fundo (R$ 185 milhões).

A equipe de Marina elaborou as estratégias da vaquinha com o apoio do Bando, um grupo de consultoria especializado em arrecadação online.

Fundada por Téo Benjamin e Felipe Caruso, a empresa tem no currículo o crowdfunding da campanha de Marcelo Freixo (PSOL) para prefeito do Rio em 2016. A experiência foi considerada uma das mais bem-sucedidas já feitas no país. Levantou R$ 1,8 milhão com 14 mil apoiadores.

A arrecadação em si é feita pela plataforma Voto Legal. A empresa também atuou em outras eleições e hospeda a vaquinha de pré-candidatos da Rede como o senador Randolfe Rodrigues (AP), que tenta se reeleger, e o ator Wellington Nogueira (SP), postulante a deputado federal.

No caso de Marina, a divulgação deve ocorrer principalmente via redes sociais, meio em que a ex-senadora tem vantagem diante de outros adversários.

A fundadora da Rede é hoje a segunda colocada no Datafolha em cenário sem o ex-presidente Lula (PT). Ela alcança 15% das intenções de voto, segundo pesquisa de junho. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) lidera, com 19%.


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