Viúva de policial torturado e assassinado em Manaus terá que indenizar Estado, segundo sindicância do Comando da PM/AM

A Associação de Praças do Amazonas (Apeam), divulgou repúdio a decisão tomada pela PM.
09/07/2018 16h25 - Atualizado em 10/07/2018 17h51
Foto: reprodução

Um processo de Sindicância do Comando da Polícia Militar decidiu que Aleandria da Silva Nascimento, viúva do soldado da Polícia Militar Paulo Sérgio da Silva Portilho, 34, morto em maio de 2017, terá que ressarcir o Estado pois durante seu assassinato foi roubada arma funcional carregada pelo militar. O agente da PM/AM foi agredido esfaqueado pelo menos 13 vezes antes de ser enterrado em uma cova na periferia de Manaus e teve os olhos arrancados por membros de uma facção criminosa. Tudo foi filmado e divulgado nas redes sociais.

O Soldado Portilho havia ido até a invasão para verificar um terreno, após encontrar um anúncio no site de vendas OLX. Ao desconfiarem que ele era policial, criminosos renderam, torturaram, assassinaram e enterraram em uma cova em local desconhecido o agente da PM.

Segundo conta o presidente da Associação de Praças do Amazonas (Apeam), Gerson Feitosa, durante o período de buscas pelo corpo do soldado, o Comando da Polícia Militar não promoveu sequer uma diligência para encontrar o corpo de Portilho. Foi preciso que os praças amigos e associados da Apeam se unissem para encontrar os restos mortais do militar.

Em nota a PM ainda determina a instauração de outra sindicância para apurar as circunstâncias da morte de Portilho, uma vez que ele estaria de serviço no momento do assassinato.

“No final das contas, quem vai pagar por tudo isso é o filho do Portilho. É o cúmulo do absurdo”, critica o Gerson Feitosa, presidente da Apeam. “Apesar da rapidez da PM em cobrar o equipamento subtraído da família do policial assassinado, o Comando da PM não cumpriu com suas obrigações em fazer a promoção pós-morte do militar, conforme prevê a legislação.”

“O material do Estado que estava com Portilho no momento de sua morte e fora extraviado vale mais do que a própria morte do policial?”, questionaram colegas da farda das redes sociais.

O corpo jurídico da Apeam entrou na briga para defender a família de Portilho em mais essa peça da coleção de absurdos da PM do Amazonas.


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