Polêmicas fazem Wilson Lima ser um dos candidatos mais incoerentes na disputa pelo governo do Amazonas

O político foi desmascarado publicamente em casos que deixaram sua credibilidade manchada perante os eleitores.
21/09/2018 13h46 - Atualizado em 22/09/2018 13h47
Foto: Reprodução

Redação AM POST

Várias polêmicas envolvendo o nome do jornalista e candidato ao governo do estado, Wilson Lima (PSC), causaram rebuliço em sua campanha política e trouxeram dúvidas quanto a sua confiabilidade. Demostrando-se cada vez mais contraditório e incoerente, o político foi desmascarado publicamente em casos que deixaram sua credibilidade, no mínimo, manchada perante os eleitores.

Com justificativas inconsistentes o candidato apenas acusa seus opositores de tentarem atacar sua campanha com os fatos dizendo ser coisa da “velha política” mas, no entanto, os mesmos nunca mencionaram as polêmicas em oportunidade que já tiveram como o debate da emissora de TV Band, que aconteceu no dia de um escândalo contra ele.

O candidato que se apresenta como única alternativa de mudança para o estado demonstra-se tão incoerente quanto velhos caciques da política amazonense ao omitir fatos de sua vida relevantes para a opinião pública.

Cargo público
Em declaração durante debate na TV Tiradentes, no último dia (4) o candidato afirmou que nunca ocupou nenhum cargo público. No mesmo dia foi comprovado que ele já trabalhou em 2009 em dois cargos comissionados na Prefeitura de Manaus, na gestão do atual governador, Amazonino Mendes (PDT), prefeito na época.

Wilson foi assessor técnico CAD 3 e em seguida subiu de posição para Assessor I CAD3 no gabinete civil, cargo considerado de confiança que oferecia remuneração de quase R$3 mil contando com auxílio alimentação e de transporte. O período em que esteve no executivo municipal lhe rendeu mais de R$ 24 mil. As informações constam no Diário Oficial do Município (DOM).

De acordo com o Portal Amazonas1 ao solicitar do candidato no dia 8 de agosto de 2018 conteúdo para escrever matéria jornalística sobre sua trajetória, o político omitiu o trabalho no executivo municipal.

Após a polêmica o candidato veio a publico dizer por meio de nota que trabalhou na prefeitura durante quatro meses e que ocupou o cargo atendendo ao convite de um amigo.

Durante quatro meses, no ano de 2009, ocupei um cargo na Prefeitura de Manaus, atendendo ao convite do amigo e colega de profissão, Fred Lobão. Atuei como apresentador de eventos. Não desempenhei nenhuma função estratégica na administração municipal. Durante um breve período, exerci atividade profissional como qualquer outro trabalhador, sem nenhuma vinculação política ou partidária”, disse o jornalista.

A declaração do candidato gerou mais contradição porque segundo o DOM ele não trabalhou na prefeitura durante quatro mas por cerca de 8 meses em dois cargos comissionados e não em um como afirma.

O trabalho na gestão de Amazonino lhe exigia período integral de trabalho referente a oito horas diárias e 40 horas semanais, no entanto, na época ele também era funcionário de uma TV local e universitário fato que gera mais desconfiança pois tantas obrigações lhe deixariam sem tempo hábil para desempenhar a função pública.

O deputado Sabá Reis munido de documentos, entre eles o contra-cheque do ano 2009 de Wilson, disse na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) nesta quarta-feira (19) que quando exerceu o cargo na prefeitura de Manaus, Lima recebia sem trabalhar, o que é classificado como ser funcionário fantasma. O parlamentar também acionou o Ministério Público de Contas (MPC) para investigar o caso e fazer o jornalista devolver o dinheiro público que recebeu.

Caso Sara
Após grande repercussão do caso do novato na política com Ana Sara Oliveira da Silva, quando ela tinha apenas de 14 anos, que foi noticiado pela coluna radar da revista Veja, escrita pelo jornalista Maurício Lima, por ter virado registro na delegacia especializada em homicídios e sequestros, Wilson foi a público dizer que não passou de um jantar com uma fã que terminou mal por ela ter postado fotos dos dois nas redes sociais alegando ser sua esposa.

No dia 07 de maio de 2014, o jornalista Wilson Lima registrou o Boletim de Ocorrência (14.E.0161.0000138) por injúria, numa delegacia próxima a sua residência. Segundo o documento, ele saiu para jantar com uma fã. Após o único encontro, a moça passou a fazer postagens nas redes sociais, afirmando ser esposa de Lima. A fã ainda afirmava trabalhar em duas redes de televisão, uma delas era o local de trabalho de Wilson Lima“, disse a assessoria do candidato.

Questionada sobre o fato da jovem ser menor de idade ou não, a assessoria de Wilson revelou com exclusividade ao AM POST que não entrou nessa questão na nota divulgada a imprensa por ele afirmar que ela se tratava de “uma moça feita” e não viu necessidade de pedir seu RG e CPF durante o encontro.

A assessoria do candidato também disse que o indagou sobre o que de fato aconteceu naquela noite e ele teria declarado que não passou de um jantar e uma foto.

Ao ser entrevistada pelo Portal Amazonas Atual a jovem, que relutou falar sobre o caso com medo de ameaças, contestou a versão dita pelo apresentador de que houve um jantar para eles se conhecerem e afirma que após troca de mensagens e telefonemas os dois foram parar num motel na zona leste de Manaus. Depois desse primeiro encontro a moça disse que passou o dia com Wilson em um condomínio fechado, onde ele morava.

Ana Sara também relatou que após postagem de uma foto dela e do apresentador em seu Facebook com a legenda “eu e meu amor” o caso começou a dar errado e ela diz que sofreu ameaças tanto de Lima quanto de um investigador da polícia identificado por ela apenas como Geraldo.

Ameaças
De acordo com a jovem, o jornalista a obrigou a passar dados de sua conta no Facebook e deletou seu perfil. Questionada sobre quem teria feito o serviço para o apresentador Ana Sara afirma: “Eu acredito que foi através de um investigador da polícia, que fez isso na minha conta, porque antes disso eu já recebia ameças pelo Facebook de um investigador, que diz ser amigo de Wilson Lima, chamado Geraldo. Eu só conheço como Geraldo”.

A jovem também contou sobre o teor das ameças: “Se eu não tirasse a foto, seu não apagasse a minha conta eu poderia causar sérios problemas pra mim, poderia ser presa, poderia vir coisas piores sendo que eu nunca fiz mal a ninguém porque que ele sendo um conhecedor da lei não procurou saber a verdade?“.

Temerosa após fortes declarações contra o candidato a moça decidiu pedir proteção do Ministério Publico do Amazonas (MP-AM).

Como vice-presidente da Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Crianças, Adolescentes e Jovens, da Assembleia Legislativa do Amazonas, o deputado estadual Platiny Soares (PSB), disse nesta quarta-feira (19), que vai encaminhar ao Ministério Público Estadual um documento solicitando a abertura de investigação acerca da conduta do apresentador Wilson Lima, por suposta prática de pedofilia e ameaça.

Censura a imprensa
Incomodado com o estrago que o depoimento da jovem fez a sua campanha, o jornalista moveu ação na Justiça Eleitoral contra o site de notícias BNC Amazonas, no intuito de retirar da internet, em caráter de urgência, matérias publicadas sobre o escândalo conhecido em Manaus como ‘Caso Sara’.

O juiz auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), Bartolomeu Ferreira de Azevedo Júnior, rejeitou ação do candidato por entender que o portal apenas cumpriu seu papel em noticiar uma matéria de interesse jornalístico e de repercussão nacional.


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