Facebook sabia que russos coletavam dados na plataforma desde 2014, diz legislador britânico

Parlamentar britânico Damian Collins afirma que tem e-mails de engenheiro do Facebook alertando sobre coleta de dados por IPs russos.
27/11/2018 13h38 - Atualizado em 27/11/2018 13h38

Foto: Reprodução


O Facebook sabia que entidades da Rússia estavam utilizando ferramentas na plataforma para recolher grandes quantidades de dados dos usuários. A informação foi dada pelo parlamentar britânico Damian Collins, diretor do comitê legislador que investiga notícias falsas espalhadas nas redes sociais.

Collins afirma que tomou conhecimento disso ao verificar e-mails de um engenheiro do Facebook. O engenheiro avisou sobre suspeitas sobre órgãos ligados à Rússia coletando informações e dados na rede social.

O legislador divulgou a informação durante uma audiência no Reino Unido nesta terça-feira (27) em que executivo do Facebook prestou depoimento sobre sua série de escândalos a diversos legisladores do mundo.

“Um engenheiro do Facebook notificou a companhia em outubro de 2014 sobre entidades com IP da Rússia utilizando uma API do Pinterest para coletar 3 bilhões de dados por dia”, disse Collins. Ele questionou Richard Allan, vice-presidente de políticas públicas do Facebook, se isso havia sido informado a um órgão superior à época.

Allan, dando depoimento no lugar do presidente Mark Zuckerberg, que se recusou à comparecer à audiência, afirmou que a informação em posse de Collin era “na melhor das hipóteses parcial, na pior das hipóteses confusa.”

Em nota enviada à agência Bloomberg, o Facebook afirmou que os e-mails foram tirados de contexto. “Os engenheiros que inicialmente sinalizaram essas preocupações aprofundaram as investigações e descobriram que não havia evidência de atividade russa específica”, afirma o comunicado.

Antes dessa informação, o Facebook havia afirmado que só tomou conhecimento de qualquer tipo de interferência russa na plataforma após as eleições de 2016, que deram a vitória ao republicano Donald Trump. Essas eleições são alvo de uma investigação sobre interferência por autoridades nos Estados Unidos.

Origem dos e-mails

Collins conseguiu os e-mails do engenheiro do Facebook com Ted Kramer, o fundador de uma companhia de software chamada Six4Three. Kramer obteve os e-mails como parte de uma ação legal que sua companhia entrou contra o Facebook na Califórnia — a rede social proibiu desenvolvedores de aplicativos de acessar informações sobre amizades de usúarios em 2015, o que Kramer afirma ter matado seu aplicativo, Pikinis, que buscava por fotos de pessoas em roupa de banho nos amigos.

Em viagem a Londres, Kramer foi compelido a entregar os documentos. Ele negou inicialmente, mas foi escoltado até o Parlamento, onde “entrou em pânico”, abriu seu computador e deu os documentos a Collin, de acordo com informações de uma Corte na Califórnia.

Os e-mails estão sob sigilo de justiça na Califórnia, mas podem ser divulgados por Collins caso ele use privilégios parlamentares no Reino Unido.

Fonte: G1

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